Após oito meses vivendo nas ruas de Itapetininga (SP), casal superou a dependência química e reconstruiu a vida com apoio social.

Carla conseguiu a casa própria — Foto: Arquivo pessoal
Depois de oito meses vivendo em situação de rua por causa da dependência química, um casal conquistou a casa própria em Itapetininga, no interior de São Paulo. A mudança marca uma nova fase na vida de Carla Silva e Pedro Santos, que hoje estão longe das drogas e retomaram os planos para o futuro.
Ao g1, Carla, de 41 anos, contou que começou a usar drogas aos 25 anos. Mãe de oito filhos, ela conheceu Pedro durante um período em que esteve na capital paulista. Na época, os dois enfrentavam o vício e, posteriormente, acabaram vivendo nas ruas do município do interior paulista.
“Eu comecei a beber muito, a usar cocaína e nós acabamos afundando juntos. Mas nós tínhamos nossas vidas, nossos empregos e cuidávamos dos nossos filhos. O uso não era 24 horas. Isso piorou depois que conhecemos o crack”, conta.
“O crack me atingiu demais e começou a me arrastar para a rua”, lembra.
Entre os comportamentos, Carla afirma que chegava a ficar dias fora de casa em busca pela substância. Segundo ela, o estopim para ir às ruas de forma definitiva foi quando o Conselho Tutelar levou os filhos embora.
“Chegava a ficar escondida dentro do mato para usar a droga e voltava para casa. Ficava um tempo ‘limpa’, mas caía no vício de novo e o ciclo se repetia. A rasteira chegou quando o Conselho levou meus filhos embora. Ficamos desesperados e, como estávamos viciados, acabamos caindo cada vez mais nesse buraco”, lamenta.
A mulher e o marido ficaram cerca de oito meses morando nas ruas ao redor da Igreja Matriz de Itapetininga.
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Carla e Pedro conseguiram dar entrada na casa própria — Foto: Arquivo pessoal
“A droga não me deixou parada em lugar nenhum. Ficávamos dez dias acordados de forma ininterrupta por conta dos efeitos causados por ela”, completa.
A “virada de chave” na vida do casal aconteceu quando Pedro sofreu uma convulsão causada pela quantidade de droga utilizada por ele. Ao g1, Carla disse que se viu desesperada e não tinha a quem pedir ajuda imediata.
“Eu vi que meu marido ia morrer nessa situação. Estava muito frio e chovendo. Quando tudo passou, disse a ele que era a hora de buscarmos ajuda. Nós queríamos nossos filhos, nossa vida e nossa família de volta. Fomos nos cuidar separados, em clínicas em cidades diferentes”, detalha.
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Carla quer reorganizar a vida a partir de agora — Foto: Arquivo pessoal
Agora, Pedro é funcionário em uma empresa de grande porte na região e, após um período trabalhando, conseguiu dar entrada na casa própria do casal. Para Carla, a sensação é de gratificação.
“É um orgulho poder dizer que temos algo que é nosso. Passamos por muita humilhação e isso é uma oportunidade dada por Deus, de mostrarmos aos outros que temos o nosso valor. Para o futuro, queremos os nossos filhos de volta e reorganizar as nossas vidas”, finaliza.











