
Bauru, no interior de São Paulo, possui atualmente 15 áreas classificadas como favelas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Nesses locais, cerca de 3 mil famílias vivem sem acesso adequado a infraestrutura básica, segundo dados do último Censo.
O levantamento revela um cenário de exclusão urbana:
- 90% dos moradores vivem próximos a vias sem pontos de ônibus;
- Quase 30% não contam com iluminação pública;
- 80% moram em ruas sem calçadas;
- Mais de 70% residem em vias sem asfalto.
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Quem é atingido?
A falta de estrutura impacta diretamente a vida de moradores como a faxineira Andressa de Paula, que há nove anos conseguiu sair do aluguel, mas ainda vive em uma área irregular conhecida como Piquete 1, no Núcleo Fortunato Rocha Lima.
A região foi ocupada após a prefeitura realocar famílias da comunidade Quinta da Bela Olinda, há quase uma década.
“Quando chove, descem todos os lixos, porque os bueiros são tampados. A gente sofre mais, porque alaga todas as casas, é muito triste”, relata.
Abandono antigo
Segundo os moradores, os problemas não são recentes. O bairro foi criado em 1990 como parte de um processo de desfavelamento, mas enfrenta abandono há décadas.
Entre as principais queixas estão a falta de manutenção das bocas de lobo, construídas há cerca de 30 anos, e a ausência de estrutura adequada para lazer e esporte.
“Nós nos sentimos abandonados, excluídos da população de Bauru”, lamenta Arnaldo Medrade de Carvalho, que é presidente da associação dos moradores.
O único centro comunitário do município, localizado na região, está abandonado há cerca de 20 anos e hoje é usado como depósito de entulho e abrigo para usuários de drogas. Antes, o espaço recebia cursos, aulas de capoeira e atividades comunitárias.
“A gente tinha 50 crianças inscritas e é decepcionante, porque a gente vê o tanto de outras crianças que poderiam ter a oportunidade que essas crianças tiveram no passado e, pela situação, é impossível”, lamenta a mestre de capoeira Leda Maria Pereira.
Regulamentação das áreas
Ainda segundo o levantamento do último Censo, 80% dos moradores viviam em endereços sem calçada e mais de 70% moravam em ruas sem asfalto.
Especialistas apontam que a regulamentação das Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis) pode ajudar a enfrentar o problema. As Zeis são áreas destinadas à moradia da população de baixa renda e permitem investimentos em regularização fundiária e infraestrutura.
De acordo com o urbanista e professor da Unesp José Xaides, as Zeis garantem tanto a posse do lote quanto a implantação de melhorias urbanas essenciais.
“Quando as Zeis estão completas, elas não regulam apenas as construções e a posse das casas e dos lotes, mas também os programas de educação, saúde, meio ambiente e capacitação socioinclusiva. Ou seja, é um pacote inteiro que as prefeituras precisam regulamentar”, pontua.
O que diz a Prefeitura de Bauru?
O secretário de Habitação de Bauru, Anderson Prado, informou que o projeto de regulamentação das Zeis foi encaminhado ao Plano Diretor da cidade.
“São áreas que vão garantir que as comunidades que necessitem de regularização e de investimentos sociais tenham mais acesso e mais facilidade”, afirmou o profissional.
A Secretaria de Habitação de Bauru informou ainda que realiza ações para melhorar a estrutura dessas áreas e que há projetos previstos para os próximos anos.
Fonte Original: G1 Bauru e Marília












