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Estudante relata alívio ao chegar ao Brasil depois de três dias retida com colegas em aeroporto nos EUA: 'Sensação libertadora'

Uma das jovens do grupo de brasileiros formado por 14 estudantes e uma professora de Lençóis Paulista (SP) que ficou retido no Aeroporto Internacional de Dallas–Fort Worth (DFW), no Texas, nos Estados Unidos, detalhou como foram os três dias no local, após cinco cancelamentos consecutivos de voos devido a uma tempestade de inverno.

O avião de volta ao Brasil desembarcou na tarde de quarta-feira (28) no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, por volta das 13h10.

Em entrevista ao g1, Nicoly dos Santos Anjos, de 15 anos, e a mãe, Lais Cardoso, de 37, falaram sobre o caso, que repercutiu nacional e internacionalmente.

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De acordo com a estudante, a dificuldade para se alimentar e a falta de um lugar adequado para dormir foram os principais obstáculos durante o período no aeroporto.

“Só tinha comida que não era saudável. Tinha horários que as lanchonetes e os fast-foods fechavam e demoravam para abrir, sobrando apenas as comidas de máquina”, relatou a estudante.

“O sono também estava difícil devido ao lugar que teríamos que dormir, no chão ou nas cadeiras, e a luz forte no rosto. Mal conseguíamos dormir. Na primeira noite, dormi por apenas quatro horas e, na segunda noite, por três horas. O lugar era desconfortável e demorávamos para conseguir dormir”, acrescentou.

A companhia aérea teria oferecido apenas um voucher de US$ 12 por pessoa para alimentação, sem garantir hospedagem adequada ou assistência durante a espera.

Segundo a agência de intercâmbio, os estudantes ficaram, por três dias, concentrados no portão A21 do aeroporto, dormindo em cadeiras e sem condições mínimas de descanso e higiene.

Sobre isso, a American Airlines informou ao g1 que, nos casos em que os cancelamentos são causados por fatores fora de seu controle, como condições climáticas, os passageiros são responsáveis por despesas como hospedagem e alimentação. Veja a nota na íntegra ao final da reportagem.

O embarque de Dallas para o Brasil ocorreu na madrugada de quarta-feira, por volta de 0h19 (3h19 no horário de Brasília).

Depois de chegar ao Brasil, o grupo seguiu de van de São Paulo, capital, até Lençóis Paulista, cidade de origem dos estudantes, no interior do estado, onde chegou por volta das 21h30 do mesmo dia. Veja o momento da chegada no vídeo no início da reportagem.

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Para a adolescente, passar três dias no aeroporto foi um período de descaso e abandono, e o retorno ao Brasil trouxe alívio.

“Não cheguei a me sentir ameaçada, mas achava um absurdo a forma como fomos negligenciados durante o período em que estávamos lá. Tudo que queríamos era voltar para casa”, comenta.

“A sensação de poder voltar para o Brasil é libertadora”, comemorou.

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Preocupação dos pais

Os familiares no Brasil viveram dias de tensão, sem saber exatamente como estavam os filhos. Para Lais, mãe de Nicoly, a volta do grupo seria tranquila, como normalmente acontece, mas a preocupação aumentou com o passar do tempo.

“No início, imaginei que fosse apenas um atraso que logo se resolveria. Depois que passou de 24 horas, foi ficando desconfortável, sem poder estar lá! Agora, imagine seu filho três dias em um aeroporto, sem dormir direito, sem descansar, sem um banho adequado, sem saber quando volta para o Brasil?”, explicou.

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Após a repercussão do caso, um voo foi disponibilizado para os alunos. Ao g1, a agência Volpe & Lima, responsável pelo intercâmbio, afirmou que a resolução do caso foi possível graças a uma força-tarefa.

A ação contou com a atuação decisiva da Embaixada do Brasil em Houston, apoio de autoridades nos âmbitos municipal, estadual e federal, mobilização nas redes sociais, colaboração de host families americanas, comunicadores digitais e os esforços da própria agência e dos pais dos estudantes.

A mãe também afirmou que tentaria uma alternativa com outra agência, caso a companhia aérea não conseguisse trazer os estudantes de volta.

“Prometi a ela que, se o voo continuasse sendo cancelado, eu mesma iria até lá e a levaria para o Brasil por outra agência”, afirmou. “Meu desespero foi ela ficar retida mais dias lá, longe da família e sem o apoio”, complementou.

Novo susto no voo

Apesar do alívio com a marcação do voo, Nicoly contou que o grupo passou por um novo susto: a aeronave apresentou problemas mecânicos, mas, após o conserto, o voo foi autorizado.

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“Após embarcarmos, a energia do avião caiu por causa do gelo. Ficamos mais de uma hora esperando o mecânico arrumar. O alívio surgiu quando anunciaram que o voo iria acontecer”, declarou.

Apesar de toda a experiência difícil, a aluna disse que a convivência com a host family — a família que recebe o aluno estrangeiro durante o intercâmbio — foi boa e confortável. O grupo chegou aos Estados Unidos no dia 3 de janeiro, onde permaneceu por três semanas.

O que diz a American Airlines?

Em nota ao g1, a American Airlines informou que, quando um voo é cancelado ou sofre atraso significativo, os passageiros são remarcados para o próximo voo disponível, sem custo adicional.

A companhia destacou que, nos casos em que os cancelamentos são causados por fatores fora de seu controle, como condições climáticas, os passageiros são responsáveis por despesas como hospedagem e alimentação. Segundo a empresa, os agentes da companhia podem auxiliar na busca por hotéis.

A American Airlines também informou que passageiros que optarem por não viajar podem solicitar reembolso do valor remanescente da passagem e de taxas opcionais relacionadas.


Fonte Original: G1 Bauru e Marília

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