
Levantamento do Instituto Nacional de Câncer detalha os tipos mais comuns de câncer em homens e mulheres por regiões no país
O Brasil deve registrar, entre 2026 e 2028, cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano, de acordo com levantamento divulgado pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) nesta quarta-feira (4/2).
Além de dimensionar o volume de diagnósticos no país, o relatório detalha como a doença se distribui de maneira diferente entre homens e mulheres e entre as regiões brasileiras.
Os dados indicam que, enquanto algumas áreas concentram tumores mais ligados ao envelhecimento da população e ao estilo de vida urbano, outras ainda enfrentam tipos de câncer associados a desigualdades no acesso à prevenção, ao rastreamento e ao tratamento.
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Principais cânceres entre os homens
Entre os homens, o câncer de próstata aparece como o mais frequente em todas as regiões do país. No ranking nacional, ele é seguido por colorretal e reto, traqueia, brônquio e pulmão, estômago e cavidade oral.
O relatório aponta, porém, diferenças importantes no recorte regional. No Norte, por exemplo, o câncer de estômago surge como o segundo mais incidente, à frente de colorretal, e o câncer de fígado aparece entre os cinco principais, um padrão que não se repete no restante do país.
No Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, a segunda posição é ocupada pelo câncer de intestino (colorretal), enquanto pulmão e estômago alternam posições de acordo com a região.
Principais cânceres entre as mulheres
Entre as mulheres, o câncer de mama lidera em todas as regiões brasileiras. No cenário nacional, ele é seguido por cólon e reto, colo do útero, traqueia, brônquio e pulmão e glândula tireoide.
O relatório mostra que o câncer do colo do útero tem peso maior no Norte e no Nordeste, onde aparece como o segundo mais frequente. Já no Sudeste e no Centro-Oeste, o câncer colorretal ocupa essa posição.
No Sul, chama atenção a presença do câncer de pâncreas entre os cinco mais incidentes, algo que não aparece em outras regiões do país.
Essas diferenças, segundo o Inca, ajudam a identificar necessidades específicas de prevenção, rastreamento e organização da rede de atendimento em cada localidade.
Hábitos e prevenção podem reduzir parte dos casos
Especialistas ouvidos pelo Metrópoles lembram que uma parcela expressiva dos cânceres está ligada a fatores modificáveis do cotidiano.
“Estima-se que cerca de 30% a 50% dos casos poderiam ser evitados com um estilo de vida saudável”, destaca a oncologista Gabrielle Scattolin, membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc).
Ela destaca que alguns tumores, como câncer de pulmão e cânceres de cabeça e pescoço, têm relação direta com hábitos como tabagismo e consumo de álcool. Outros, como os do trato digestivo, são mais associados a dietas ricas em ultraprocessados e carnes embutidas.
“De forma geral, obesidade, sedentarismo, consumo de ultraprocessados, álcool e cigarro aparecem como fatores de risco comuns para a maioria dos cânceres”, diz.
O oncologista Márcio Almeida, também da Sboc, reforça que escolhas alimentares podem ter peso importante na prevenção.
“Uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e fibras ajuda a reduzir inflamação e a manter o organismo em equilíbrio”, afirma.
Além da prevenção, os médicos lembram que identificar o câncer no início ainda é uma das estratégias mais eficazes para reduzir mortes. “O câncer, quando identificado em fases iniciais, tem maior chance de cura, tratamentos menos agressivos e menor impacto na qualidade de vida”, afirma Almeida.
Fonte Original: Metrópoles



























