
A presença de camarões no Rio Tietê chamou a atenção depois que milhares de animais foram encontrados mortos em Igaraçu do Tietê, no interior de São Paulo.
O caso começou a ser registrado na segunda-feira (2), quando moradores encontraram os primeiros camarões mortos na prainha da cidade. A situação se repetiu ao longo da terça-feira (3), com o aparecimento de novos animais sem vida no local.
Segundo um biólogo ouvido pelo g1, os animais são camarão-pitu, espécie usada na culinária e como isca para peixes maiores. Originalmente encontrada em águas salgadas de regiões ao norte do país, a espécie foi introduzida em rios no interior do Brasil na década de 1980.
De nome científico Macrobrachium acanthurus, o camarão-pitu passou a ocupar cursos d’água das bacias do Tietê e do Paraná, como o próprio Rio Tietê, além dos rios Grande e Paranapanema, após inserção artificial nesses sistemas, onde acabou se naturalizando.
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“Ele se adaptou muito bem aqui. Apesar de ser um animal de água salobra, que originalmente precisa desse tipo de ambiente para se reproduzir, consegue se desenvolver bem na região”, explica o biólogo Pedro Henrique Gillio.
Ainda segundo o biólogo, a espécie passa atualmente por seu período reprodutivo. Desde 2005, o camarão-pitu em águas doces é considerado ameaçado de extinção, segundo o Ibama.
“Durante o período da piracema, ele entra na legislação como espécie protegida, então não pode ser utilizado, pescado ou usado como isca”, explica.
Segundo Gillio, a mortandade pode estar relacionada a algum fator específico da água, já que apenas os crustáceos foram encontrados mortos.
“Acredito que a correlação entre eles e a mortandade seja a maior suscetibilidade a algum fator que está ocorrendo na água, enquanto outros animais não apresentaram os mesmos sintomas.”
Autoridades apuram causas da mortandade
De acordo com a Secretaria de meio ambiente de Igaraçu do Tietê, a principal suspeita para a mortandade é a redução do oxigênio dissolvido na água, condição que pode ser provocada por uma combinação de fatores climáticos, ambientais e até intervenções humanas.
Um vídeo registrado por moradores mostra os crustáceos espalhados às margens do rio, em uma área usada como espaço de lazer próxima à barragem da Usina Hidrelétrica de Barra Bonita (SP). Veja acima.
Na quarta-feira (4), funcionários da Prefeitura de Igaraçu do Tietê recolheram os camarões mortos na prainha da cidade. Os animais, que estavam nas margens, foram colocados em sacos e descartados no aterro sanitário de Barra Bonita. Uma retroescavadeira também foi utilizada para retirar os crustáceos que estavam no meio do rio.
Técnicos da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) estiveram no local na terça-feira para realizar vistorias e coletar amostras da água e dos animais, que serão analisadas para identificar as causas do ocorrido.
Em nota, a Auren Energia, responsável pela Usina Hidrelétrica de Barra Bonita, informou que não há qualquer relação entre a usina — que passa por manutenção preventiva da eclusa — e o aparecimento de camarões de água doce em Igaraçu do Tietê.
A empresa afirmou ainda que, ao tomar conhecimento da situação, comunicou a Cetesb e se colocou à disposição para colaborar com os órgãos ambientais na apuração do caso.
Fonte Original: G1 Bauru e Marília











