
Além de proteger os olhos, as sobrancelhas têm outras funções essenciais e marcantes no rosto humano
As sobrancelhas nem ocupam um espaço tão grande no rosto, mas cumprem várias funções ao mesmo tempo. O mais comum é pensar que elas protegem os olhos de suor, água da chuva e partículas do ambiente — e, realmente, elas fazem tudo isso. Mas, ainda assim, essas não são as principais razões da sua importância para os humanos.
As sobrancelhas são muito importantes para a comunicação não verbal. Movimentos sutis da testa e das sobrancelhas mudam o sentido de uma expressão, reforçam gestos e ajudam a mostrar emoções. No convívio social, a leitura do rosto ajuda a orientar reações, aproximar pessoas e organizar as interações, mesmo sem o uso da fala.
Proteção básica para os olhos
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O formato arqueado das sobrancelhas não é à toa, ele ajuda a desviar o suor e a água da chuva para as laterais do rosto, evitando que escorram direto para os olhos. Os fios também barram um pouco de poeira e sujeira do dia a dia, diminuindo a ardência e o incômodo, principalmente em dias mais quentes ou durante atividades físicas.
Mesmo assim, essa função de proteção não explica sozinha por que as sobrancelhas são tão marcantes no rosto humano. Outros animais também lidam com suor, chuva e poeira, mas não têm sobrancelhas tão definidas quanto as nossas.
Se não é proteção, qual é a função mais importante?
Mesmo que ajudem a proteger os olhos, as sobrancelhas são muito mais relevantes pela função social. Elas fazem parte do sistema de comunicação do rosto, ajudando a transmitir emoções como surpresa, dúvida, tristeza, irritação e alegria.
Essa leitura rápida do rosto acontece o tempo todo, mesmo sem que as pessoas percebam. Em uma conversa, o cérebro interpreta o movimento das sobrancelhas junto com o olhar e a boca para entender a intenção de quem fala.
É por isso que um rosto com pouca mobilidade nessa região tende a parecer menos expressivo e mais difícil de “ler”. Além disso, ao longo da evolução humana, a capacidade de demonstrar emoções com clareza foi fundamental para manter a convivência em grupo.
Conseguir identificar de forma rápida se alguém está receptivo, desconfiado ou hostil facilita as aproximações, evita conflitos e fortalece os vínculos. Por isso, mais do que só pelos, as sobrancelhas são tão importantes quanto a visão ou a fala.
“A perda das sobrancelhas, comum em casos de alopecia, dermatites e quimioterapia, costuma ter forte impacto psicológico. Muitos pacientes relatam queda da autoestima e dificuldade de se reconhecer, porque a sobrancelha é parte importante da identidade facial”, explica a médica dermatologista Lúcia Helena Sampaio, do Hospital Santa Lúcia Sul, em Brasília.
Reconhecimento do rosto e leitura social
Além da expressão, as sobrancelhas também ajudam a definir os contornos do rosto e facilitam o reconhecimento das pessoas no dia a dia. O cérebro usa a região como um ponto de referência para identificar quem está à frente, diferenciar os rostos e perceber mudanças na aparência.
Outro ponto é que o formato das sobrancelhas influencia a forma como alguém é percebido. Linhas mais retas costumam passar uma imagem mais suave, e arcos marcados podem transmitir seriedade, por exemplo. Essas leituras não são regras, mas afetam a primeira impressão das pessoas.

Doenças e tratamentos que afetam as sobrancelhas
Algumas condições de saúde podem interferir no crescimento dos pelos da sobrancelha. Doenças autoimunes, infecções de pele, dermatites crônicas e alterações da tireoide estão entre os quadros que costumam provocar falhas ou queda dos fios.
Tratamentos como quimioterapia e alguns medicamentos também afetam o ciclo de crescimento do pelo. O diagnóstico certo depende da avaliação do médico, e quando necessário, de exames para investigar se a causa é local, como uma inflamação da pele, ou sistêmica, ligada a outras condições do organismo.
“Em casos mais graves, os pacientes podem precisar até de medicações orais. Os ferimentos da pele junto com a modificação da barreira cutânea e da flora da pele podem, juntos, levar a infecções secundárias bacterianas ou virais”, ensina a médica dermatologista Clessya Rocha, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
Fonte Original: Metrópoles











