Em 1ª entrevista após alta, Juliane Vieira relembra os acontecimentos e os sentimentos que a levaram a se arriscar para salvar a família no fatídico 15 de outubro. Ela teve queimaduras após salvar a mãe e o primo de apartamento em chamas.
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A advogada Juliane Vieira, de 29 anos, recebeu alta nesta semana após ficar internada por três meses no Hospital Universitário de Londrina, referência no tratamento de queimados no Paraná. Ela deixou o hospital sob aplausos de profissionais de saúde e foi acompanhada pela equipe que participou do tratamento.
Juliane foi internada em outubro com 63% do corpo queimado, após voltar a um apartamento em chamas para salvar a mãe, de 51 anos, e o primo, de 4 anos, do incêndio incêndio.
Em primeira entrevista após o acidente, a advogada relembra os acontecimentos e os sentimentos que a levaram a se arriscar para salvar a família, e fala dos sacrifícios que a recuperação exigiu.
O resgate da família
A advogada conta que recorda de todos os momentos daquele 15 de outubro, inclusive de ter acordado com os gritos do primo Pietro, de 4 anos, que já avisava do fogo.
As chamas começaram na cozinha e se espalharam pelo imóvel, que ficava no 13º andar do prédio. Além de Juliane e do primo, a mãe da advogada, Sueli, também estava no imóvel.
“Quando eu saí do quarto, eu já vi que tinha um fogo grande. O Pietro estava do outro lado do fogo, peguei ele no colo, tentei sair pela única saída, a saída principal, mas ela estava trancada”, ela lembra.
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Juliane Veiga dá primeira entrevista após alta. — Foto: Reprodução
Impossibilitada de sair pela porta, Juliane subiu no suporte de ar-condicionado do apartamento e colocou o primo na janela do apartamento de baixo. “Falei para ele: ‘fica quietinho e segura na redinha [de proteção].’ E assim ele obedeceu. E, por obra divina, a moradora do apartamento resolveu abrir a janela.”
A moradora do apartamento do andar de baixo era Seliane, que havia saído de casa, mas voltou para pegar uma bolsa. Num impulso, ela decidiu abrir a janela. “u abro a janela não sei por quê, não consigo explicar por quê. E a criança estava aqui, toda escura, cheia de fumaça.”
O técnico em refrigeração Lincoln de Oliveira e o pedreiro Tiago Gomes, que estavam fora do prédio, correram para ajudar no resgate e salvaram Sueli.
Juliane diz que a mãe chegou a pensar que iria morrer, ao que ela respondeu: “Pula que eu te seguro”. A advogada conseguiu segurar Sueli por um tempo, até finalmente conseguir direcioná-la para um dos homens que ajudavam do lado de fora.
Após deixar o hospital, Juliane e Sueli se encontraram com Lincoln. No reencontro, elas agradeceram ao técnico de refrigeração por ter resgatado a mãe.
Juliane também tentou descer pelo suporte do ar-condicionado, mas não tinha apoio. Ela foi puxada de volta para o apartamento por um bombeiro. Na tentativa de sair do imóvel, Juliane e o sargento Ademar de Souza Migliorini foram atingidos pelas chamas. Ele chegou a ter queimaduras de terceiro grau e ficou internado por 5 dias.
Tratamento e reabilitação
Juliane foi atendida na rede pública: primeiro em Cascavel e depois em Londrina, para onde foi levada de helicóptero em estado grave.
No Hospital Universitário de Londrina, ela ficou três meses na UTI. O hospital tem um centro com mais de 100 profissionais especializados e 16 vagas para pacientes. O caso de Juliane foi descrito como um dos mais complexos da história da unidade.
A cirurgiã plástica Xenia Tavares disse que a advogada chegou com queimaduras extensas, principalmente nos membros inferiores, e que a equipe precisou planejar como obter pele suficiente para os procedimentos.
Juliane passou por quase 20 procedimentos cirúrgicos, incluindo enxertos, transplante de pele e raspagem. Ela ficou mais de um mês em coma induzido, mas com apoio da equipe médica, passou a se recuperar.
Mas, mesmo após a alta, o tratamento continua. E os desafios, também.
“[Minha pele] Coça, está muito calor, eu preciso tomar mais de um banho, dois banhos, às vezes por dia. E é difícil porque eu só tomo banho com o auxílio da minha mãe, por hora, mas com as minhas fisioterapias diárias eu estou retomando os meus movimentos, aos poucos, mas conseguindo.”
Juliane também faz fisioterapia diariamente e tem retomado movimentos aos poucos. Mas ela ainda deve passar por procedimentos caros e demorados e provavelmente não conseguirá retornar às atividades profissionais antes de um ano.
Ainda assim, Juliane declarou que pretende voltar a advogar e vai continuar estudando.
Fonte: Fantástico













