Uma grave lesão no joelho direito tirou a bailarina Celina Damiani, de 21 anos, dos palcos por nove meses. Um desafio e tanto para a jovem de Ourinhos (SP) que, desde os 6 anos, vivia rotina de ensaios e apresentações de balé, mas, que não a impediu de conquistar prêmios e se tornar integrante de companhia de dança profissional.
Quando retornou aos trabalhos, em 2022, Celina venceu um festival em São Paulo, que garantiu uma bolsa de 50% para ir a Barcelona. No entanto, por falta de recursos financeiros, ela não conseguiu competir na cidade espanhola.
Porém, Celina teve outras oportunidades de competir internacionalmente quando conquistou a vaga para a final do “Valentina Kozlova International Ballet Competition”, ao representar a Escola Municipal de Bailado de Ourinhos em uma seletiva em Barueri e quando esteve em Portugal com a Curitiba Cia de Dança, companhia onde foi contratada como bailarina profissional.
Em entrevista ao g1, Celina detalha como se sentiu após sofrer um rompimento no ligamento cruzado do joelho e como foi o processo para superar a lesão e voltar a dançar.
“Hoje eu tenho orgulho da minha cicatriz. Passar por uma lesão é muito mais do que uma longa recuperação, é o medo te dominando aos poucos. Tantas dúvidas e incertezas e a incapacidade de fazer aquilo que ama durante um determinado tempo são as coisas mais frustrantes, mas, durante essa caminhada, eu aprendi muitas coisas”, declara.
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“Renovei minhas forças e, com muitos meses de musculação, pilates, fisioterapia e fortalecimento intensivo, voltei a saltar sem dor, a girar, ajoelhar e a usar minhas sapatilhas de ponta”, acrescenta.
Celina revisitou o sentimento da época: “Cada etapa, cada choro valeram muito a pena! Eu não tinha dúvidas de que eu nasci para estar ali, foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida”,
Durante todo o processo, ela também reconheceu o apoio dos familiares. “Nada disso seria possível sem a minha família, minha força de todos os dias eram suas palavras, amor e apoio incondicional, que confiaram em cada passo do meu processo”, afirma.
Para a jovem, o período do pós-operatório foi fundamental para a sua trajetória profissional como bailarina.
“Amadureci e trabalhei muito pra voltar a dançar. O meu pós-operatório foi onde eu realmente deixei minha coragem se sobressair. Assisti e observei cada detalhe das aulas e foi assim que o meu lado professora nasceu”, conta a artista, que se tornou bailarina profissional no início de 2024, na Curitiba Cia de Dança.
De aluna à professora
Desde quando iniciou no balé aos 6 anos, a artista viveu inúmeras experiências enquanto aluna. Agora, no lugar de quem ensina, ela explica como é a própria didática.
“O que busco passar nas minhas aulas é o amor em cada passo, a constância e resistência contra o cansaço. É vencer a própria mente, é disciplinar o corpo em cada movimento, ser livre pra sorrir enquanto dança e se divertir enquanto trabalha”, analisa a profissional, que além de bailarina profissional, também dá aulas de ballet clássico.
“Não é a busca pela perfeição, é o seu próprio aperfeiçoamento de cada dia. Sempre respeitando seus limites e acreditando cada vez mais nos seus sonhos”, reforça.
Inspiração
Os 15 anos de carreira de Celina Damiani a ensinaram o constante aprendizado, de forma tranquila e intensa.
“O mundo da dança é realmente extraordinário, você nunca para de aprender, a arte nos permite viver com leveza, com sensibilidade e intensidade. Por mais difícil que seja se manter nesse mundo da dança, eu, com meus 15 anos de carreira, posso dizer que ‘é justo o que muito custe para o que muito vale’, como ensina Santa Teresa D’Ávila.”, identifica a mulher.
A partir da própria trajetória, a bailarina deseja que as pessoas priorizem seus respectivos sonhos e não desistam daquilo que almejam conquistar.
“Com a minha história, eu espero que as pessoas sintam o brilho do meu olhar quando estou no palco, o arrepio de uma coxia, a sensação indescritível dos aplausos, o suor de cada dia, a esperança. Se você ama, não deve desistir: alcance o que tanto deseja o seu coração.”
*Sob a supervisão de Mariana Bonora.
Fonte Original: G1 Bauru e Marília












