
Uma brasileira passa a ocupar um dos postos mais tradicionais da música de concerto, se tornando a primeira mulher a assunir uma orquestra na Alemanha em 130 anos. No início deste ano, a maestrina Andréa Huguenin Botelho assumiu a regência titular da Westpfälzischen Sinfonieorchester, em Kusel, na Renânia-Palatinado.
A estreia oficial à frente do conjunto será no concerto de 21 de junho, data que marca o início público da gestão dela. A nomeação ocorre após a aposentadoria do regente Thomas Germain, que esteve à frente da orquestra por mais de duas décadas.
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“Quando cheguei aqui, fiquei muito feliz em conhecer essa história, mas senti falta de vê-la mais viva no cotidiano da cidade”, disse. Para ela, a orquestra tem um papel central nesse resgate.
Primeira mulher em 130 anos
A conquista tem dimensão histórica. Desde a fundação da orquestra, no fim do século XIX, nenhuma mulher havia ocupado a regência titular.
Ao pesquisar a trajetória da instituição, Andréa constatou também que, ao longo de toda a história do conjunto, apenas uma obra de compositora havia sido executada. Para a maestrina, o dado não é motivo de comemoração isolada, mas sinal de um cenário que ainda precisa mudar.
“Quem trabalha com a temática mulheres e música não fica muito contente em saber que é a primeira, porque isso mostra que essa lacuna ainda existe”, afirma.
Brasil e Europa
Nascida no Rio de Janeiro, Andréa Huguenin Botelho construiu ao longo de mais de três décadas uma carreira internacional como maestra, pianista, compositora e pesquisadora.
Há mais de 20 anos estabelecida na Europa, desenvolveu uma atuação que conecta repertórios, instituições e projetos entre Brasil e Alemanha. De origem teuto-brasileira, sua formação reflete esse trânsito cultural.
Especialista na pesquisa e difusão de obras de compositoras historicamente invisibilizadas, tornou-se referência no tema. É curadora da série “Komponistin!” e integra o conselho do arquivo Frauen und Musik, em Frankfurt, instituição dedicada à preservação e divulgação da produção feminina na música de concerto.
Sua formação como regente inclui estudos com nomes como Kurt Masur e Jorma Panula, referências na tradição europeia de regência.
Liderança em projetos próprios
Além da atuação à frente de orquestras europeias, Andréa fundou em Berlim o Programa de Música Brasileira, iniciativa voltada à difusão sistemática do repertório brasileiro no contexto europeu.
A partir do projeto nasceu a Brasil Orchester Berlin, primeira orquestra sinfônica da Alemanha dedicada exclusivamente à música brasileira. Sob sua direção artística, o grupo reúne músicos de diferentes nacionalidades em torno de um repertório que amplia a presença da produção brasileira no exterior.
Agora, ao assumir a Westpfälzischen Sinfonieorchester, Andréa Huguenin Botelho consolida uma trajetória construída entre pesquisa, formação internacional e liderança artística. A nomeação marca um avanço na representatividade feminina na regência.
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Fonte: Só Notícia Boa













