
Estudo mostra que plantas usam mecanismos parecidos aos das bactérias para criar compostos usados em remédios
As plantas produzem milhares de substâncias químicas para se proteger de pragas, infecções e outras ameaças do ambiente. Muitas dessas substâncias, chamadas de alcaloides, também são usadas há décadas pela medicina no desenvolvimento de medicamentos.
Um estudo publicado na revista científica New Phytologist, em 13 de janeiro, revelou que a planta Flueggea suffruticosa utiliza um gene com características semelhantes às de bactérias para fabricar um alcaloide poderoso que pode ser usado na produção de medicamentos de forma mais eficiente e sustentável.
Com esse novo entendimento, os cientistas podem procurar genes semelhantes diretamente no DNA das plantas, acelerando a descoberta de moléculas com potencial medicinal, sem depender apenas da extração tradicional.
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O que os cientistas encontraram
A pesquisa analisou a Flueggea suffruticosa, conhecida por produzir a securinina, um alcaloide com forte atividade biológica. Ao investigar como essa substância é fabricada, os cientistas identificaram que o gene principal envolvido no processo não se parece com genes típicos de plantas.
Em vez disso, ele é muito semelhante a genes encontrados em bactérias. Essa semelhança chamou a atenção dos pesquisadores, já que plantas e bactérias são organismos muito diferentes do ponto de vista evolutivo.
Segundo pesquisadores da Universidade de York, no Reino Unido, a descoberta foi surpreendente justamente por mostrar que as plantas podem usar “ferramentas biológicas” que costumam ser associadas a microrganismos quando isso traz alguma vantagem.
Para os pesquisadores, essa descoberta muda a forma como os cientistas entendem a produção de substâncias naturais pelas plantas. Até agora, acreditava-se que esses compostos eram criados apenas por caminhos químicos típicos do reino vegetal. O estudo mostra que isso nem sempre é verdade.
Depois de identificar esse gene incomum, os autores do estudo encontraram genes semelhantes em outras plantas, indicando que esse tipo de mecanismo pode ser mais comum do que se imaginava.
Impactos na produção de medicamentos
Ao compreender melhor como esses compostos são feitos, será possível produzi-los em laboratório por meio da biotecnologia. Isso reduz a necessidade de cultivo em larga escala ou de coleta na natureza, diminuindo custos e impactos ambientais.
Segundo os pesquisadores, muitos alcaloides são eficazes, mas também podem ser tóxicos. Entender como eles são produzidos permite modificar essas moléculas para torná-las mais seguras ou controlar melhor sua fabricação.
A descoberta também ajuda a entender melhor como as plantas evoluíram e como se adaptam ao ambiente. Esse conhecimento pode contribuir para o desenvolvimento de plantas mais resistentes e para avanços na agricultura e na biotecnologia.
Fonte Original: Metrópoles












