Um jovem de 18 anos, estudante de uma escola pública em Olímpia (SP), foi aprovado em medicina na Universidade de São Paulo (USP), campus de Bauru (SP).
A escolha do curso teve como inspiração a história de uma criança com diabetes que enfrentava dificuldades para receber o tratamento adequado.
Lucas Mirota do Carmo frequentou uma escola pública desde a infância e nunca fez cursinhos preparatórios para vestibulares.
Como forma de se preparar para as provas, além das aulas na Escola Técnica Estadual (Etec) “José Carlos Seno Júnior”, ele contou com o apoio de um amigo, que lhe doou apostilas, e também estudou por meio de videoaulas disponíveis na internet.
O jovem garantiu uma das três vagas oferecidas na USP pelo Provão Paulista Seriado, programa do governo que dá acesso a universidades públicas. Além de Lucas, uma colega da mesma escola técnica também conquistou uma vaga no curso de medicina.
Questionado pela reportagem do g1 sobre a motivação para seguir a profissão, Lucas contou que, embora seu pai sempre desejasse que ele fosse médico, inicialmente queria ser biólogo, depois professor de matemática e até pensou em engenharia.
Entretanto, durante um trabalho em meio a voluntários da igreja, Lucas se sensibilizou com a história de uma família que enfrentava dificuldades para conseguir tratamento para uma criança portadora de diabetes tipo 1.
“Tive diversas experiências semelhantes e, desde então, tive a convicção de que tinha que fazer algo, e que poderia fazer muito mais se fosse médico. Eu sempre tive o desejo de ser missionário, poder ajudar o próximo. Com a profissão, poderia ajudar ainda mais”, comenta Lucas.
Apoio dos pais
Os maiores incentivadores de Lucas foram os pais, Anderson Kleber do Carmo, de 46 anos, e Regiane Cristina Mirota do Carmo, de 48. Anderson é mestre em química, e Regiane é técnica em enfermagem.
Na família, o estudo sempre foi prioridade. Para os pais, a conquista do filho é fruto de muita persistência e dedicação. Desde pequeno, eles buscavam incentivar Lucas a ler e adquirir conhecimento com os brinquedos pedagógicos.
“Foi uma alegria muito grande receber a notícia de que ele tinha passado em medicina na USP, principalmente em Bauru, que era onde ele sonhava em estudar. Foi lá que minha irmã fez tratamento por muitos anos. Ela teve meningite e quase perdeu a audição. A família toda tem muita gratidão por Bauru”, conta Anderson.
À reportagem, Lucas contou como se sentiu ao receber a notícia. Ele diz que demorou a acreditar e estava cético com relação às chances de aprovação devido ao limite de vagas e ao alto número de concorrentes. Lidar com os estudos não foi fácil para o futuro universitário.
“Eu sempre gostei muito de aprender, apesar de não tanto de estudar. No caso, escrever e copiar matéria, para mim, era mais como um hobby mesmo. Eu estudei principalmente no tempo livre que tinha na escola, fosse durante as aulas ou intervalos, mas também estudava em casa, assistindo às videoaulas no YouTube e aos shorts sobre química e biologia. Adorava ver resoluções de questões”, explica o estudante.
Representatividade no ensino superior
A conquista recente dos alunos da Etec de Olímpia gerou repercussão entre os representantes da escola, que já reconheciam o potencial de Lucas e de sua amiga para alcançar vagas disputadas.
Segundo o superintendente, João Chiampezan, e o coordenador da escola, André Ruis, Lucas sempre demonstrou interesse em debater políticas sociais, o que contribuiu para seu destaque no processo seletivo.
“O Lucas se destacava por sua atuação cidadã, sendo membro-prefeito do Gabinete Jovem em Olímpia, onde participava ativamente de debates sobre políticas públicas e melhorias para o município”, comenta João.
A aprovação do jovem representa um indicador de sucesso para os servidores da instituição. É o que explica Elaine Neves de Nadai, relações institucionais da escola.
“Isso demonstra que o ensino público pode, sim, oferecer uma educação de qualidade, capaz de preparar os estudantes para os vestibulares mais concorridos do país”, afirma Nadai.
Para Lucas, o Provão Paulista é uma forma de incentivar e facilitar o ingresso de estudantes da rede estadual de ensino nas universidades públicas. O estudante ainda deu algumas dicas de como se preparar.
“Gostaria de indicar a todos os vestibulandos, seja de qual curso for, que acessem o edital e observem a lista do conteúdo cobrado, vejam as cobranças mais recorrentes e estudem focando naquilo que têm defasagem, principalmente realizando questões dos processos anteriores. Isso ajuda e simplifica muito”, finaliza.
*Colaborou sob supervisão de Henrique Souza
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Fonte Original: G1 Bauru e Marília












