
Nova norma da Anvisa cria padrão nacional para medicamentos controlados; notificações azul e amarela seguem em papel até junho
A partir desta sexta-feira (13/2), entra em vigor a nova regra da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que estabelece um padrão nacional para a emissão de receitas digitais de medicamentos controlados.
A norma, aprovada em dezembro de 2025, muda a forma como médicos e dentistas prescrevem esses medicamentos e como as farmácias validam as receitas. O objetivo é aumentar a segurança, reduzir fraudes e melhorar o controle sanitário no país.
O que muda na prática
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Até agora, receitas digitais podiam ser emitidas com assinatura eletrônica, mas não existia um sistema nacional integrado de controle. Já no caso dos medicamentos de tarja preta, era obrigatório o uso da Notificação de Receita em papel — os conhecidos talões azul e amarelo.
Com a nova norma, a prescrição digital de medicamento controlado precisa ser emitida dentro de uma plataforma autorizada pela Anvisa e integrada ao Sistema Nacional de Controle de Receituários (SNCR).
Cada receita passa a receber uma numeração única, vinculada ao profissional de saúde. Ao apresentar o documento na farmácia, o farmacêutico poderá validar essa numeração para confirmar a autenticidade da prescrição e evitar reutilização indevida.
“Quando você cria um padrão nacional integrado, todo mundo passa a falar a mesma linguagem: o profissional de saúde prescreve no sistema correto, o documento nasce com as garantias necessárias e a farmácia consegue validar com mais segurança. É um avanço importante para reduzir fraudes, aumentar a rastreabilidade e, ao mesmo tempo, diminuir atritos para quem precisa manter o tratamento”, afirma Michele Alves, gerente executiva da Saúde Digital Brasil (SDB).
Quais receitas entram na regra
- Notificações de receita (talões azul e amarelo).
- Prescrições de retinoides e talidomida.
- Receitas de Controle Especial.
- Receitas Sujeitas à Retenção, como antibióticos e medicamentos com GLP-1.
Até 1º de junho de 2026, notificações azuis e amarelas ainda poderão ser usadas em papel, durante o período de transição. A integração completa das plataformas com o sistema da Anvisa deve ocorrer gradualmente nos próximos meses.
Com a norma, algumas exigências passam a valer imediatamente, como a obrigatoriedade de CPF ou passaporte em todas as receitas de medicamentos controlados, a data da receita passa a ser a data da assinatura digital, impedindo emissão retroativa ou pré-datada, e o endereço individual do médico deixa de ser obrigatório quando houver o da instituição de saúde.
Projeto pode ampliar digitalização no Farmácia Popular
Paralelamente à nova norma, um projeto em tramitação no Congresso propõe ampliar a digitalização do acesso a medicamentos do Sistema Único de Saúde (SUS), por meio do chamado Farmácia Popular Digital.
A proposta prevê integrar prescrição, autorização e dispensação ao aplicativo Meu SUS Digital. O paciente poderia gerar um token ou QR Code para retirada do medicamento em farmácia credenciada. Também há previsão futura de entrega domiciliar para idosos e pessoas com deficiência.
O projeto ainda precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado antes de virar lei, e pode sofrer alterações durante a tramitação. Neste cenário, a farmacêutica Aline Alcântara, consultora do Grupo AMR Saúde (redes de franquias de farmácias do Brasil), explica que a eventual aprovação do modelo pode exigir adaptações operacionais no varejo farmacêutico.
“A proposta do Farmácia Popular Digital não muda só a tecnologia. Ela muda a lógica do balcão e a forma como o paciente se relaciona com a farmácia. Parte das interações que acontecem naturalmente com os clientes pode diminuir. Por isso, mesmo antes de virar lei, já é um sinal claro de que o setor precisa se preparar”, afirma.
Ela destaca que a adaptação envolve capacitação das equipes para validar autorizações digitais, atualização de sistemas e revisão de processos internos. Como o projeto ainda está em discussão, não há mudanças imediatas no funcionamento do programa.
O que muda para o paciente
No caso da nova regra da Anvisa, o acesso ao medicamento não muda de forma imediata. O que se altera é o modelo de emissão e validação da receita. Até junho, receitas em papel e digitais convivem. A tendência é que, após a consolidação da integração tecnológica, o formato eletrônico se torne o padrão nacional para medicamentos sujeitos a controle especial.
Fonte Original: Metrópoles











