
Algumas substâncias nos chás têm efeito anti-inflamatório e apoiam a saúde do fígado quando associadas a mudanças no estilo de vida
A esteatose hepática, mais conhecida como gordura no fígado, ocorre quando há um acúmulo de gordura nas células do órgão. A condição é mais comum em pessoas com excesso de peso, sedentarismo, resistência à insulina ou consumo frequente de álcool.
Apesar de, na maioria dos casos, não provocar sintomas, o quadro pode evoluir para inflamação e atrapalhar o funcionamento pleno do fígado. Por isso, o tratamento se baseia principalmente em ajustes no estilo de vida — especialmente alimentação saudável, prática regular de atividade física e perda de peso.
Nesse contexto, alguns chás podem servir como uma estratégia complementar para o tratamento da gordura no fígado. Especialistas ouvidos pelo Metrópoles listaram os três melhores chás para quem tem esteatose hepática. Confira:
Chá verde
O chá verde é reconhecido por ter muitas catequinas, principalmente a epigalocatequina galato (EGCG), uma substância com ação antioxidante. Esses compostos ajudam a diminuir inflamações associados à esteatose e favorecem a melhora da sensibilidade à insulina — um fator essencial no controle da gordura no fígado.
Além disso, a bebida também pode contribuir para o controle do peso, estratégia que os especialistas de saúde consideram como central para a reversão do quadro. Para preservar os compostos do chá, a orientação é usar água quente, sem deixar ferver, e manter a infusão por cerca de dois a três minutos. O consumo junto ao leite não é indicado, já que pode reduzir a absorção das catequinas.
“Eles não substituem o tratamento médico, mas ajudam a melhorar a função do fígado e a eliminar o excesso de gordura”, explica a nutricionista Cibele Santos, de Brasília.

Chá de cúrcuma
A cúrcuma tem um composto anti-inflamatório e antioxidante chamado de curcumina. A substância melhora a resposta do corpo à glicose, o que pode beneficiar pessoas com resistência à insulina, outra condição frequentemente relacionada à gordura no fígado.
O preparo pode ser feito com a raiz fresca ralada ou com o pó diluído em água quente. Colocar uma pitada de pimenta-do-reino pode ajudar na absorção da curcumina. Como se trata de um composto lipossolúvel, a presença de uma quantidade pequena de gordura boa, como azeite, também pode potencializar o efeito do chá.
Chá de boldo
O chá de boldo é tradicionalmente relacionado com a saúde do sistema digestivo, porque a bebida tem substâncias que ajudam o intestino a funcionar melhor e aliviam a sensação de estômago pesado.
Entre os componentes da bebida, a mais importante é a silimarina, que é conhecida por ter efeito hepatoprotetor e ajuda a proteger as células do fígado contra os danos oxidativos.
“O boldo também tem contém compostos como a boldina, substância antimicrobiana, que é capaz de inibir o crescimento de bactérias, fungos e microrganismos. A infusão pode evitar infecções, especialmente as intestinais”, aponta a nutricionista Julia Marques, especialista em nutrição clínica funcional que atende em Brasília.
Contraindicações dos chás
Mesmo que sejam naturais, os chás ainda podem oferecer riscos. O consumo excessivo pode causar efeitos colaterais ou interferir na ação dos medicamentos como estatinas, anticoagulantes, hipoglicemiantes e anti-hipertensivos.
Em quantidades grandes, o chá verde pode causar irritação no fígado de pessoas que já são sensíveis. Além disso, ingerir o chá de boldo com frequência já foi associado a relatos de toxicidade, e doses altas de cúrcuma podem alterar a coagulação sanguínea.
Por isso, os especialistas de saúde reforçam que esses chás devem ser vistos como um complemento, e uma não substituição do tratamento para o controle da gordura no fígado. Alimentação saudável, exercícios físicos e acompanhamento médico continuam sendo as medidas mais eficazes para preservar a saúde hepática.
Fonte Original: Metrópoles












