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Um terço dos casos de demência pode não estar relacionado ao cérebro

Estudo publicado na Nature Human Behaviour associa condições como diabetes, perda auditiva e doenças hepáticas ao risco de demência

A demência nem sempre está ligada apenas a doenças do cérebro. Um novo estudo publicado na revista Nature Human Behaviour em 20 de janeiro sugere que cerca de um terço dos casos de demência pode estar relacionado a doenças que não afetam diretamente o cérebro.

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A pesquisa reuniu resultados de mais de 200 estudos anteriores e analisou a associação entre demência e 26 doenças chamadas periféricas, que envolvem outros sistemas do organismo.

A demência é um termo usado para descrever perda de memória, dificuldades de raciocínio, problemas de comunicação e outros comprometimentos cognitivos que podem ter diferentes causas, como doença de Alzheimer, AVC, infecções ou traumas. Tradicionalmente, as pesquisas se concentram principalmente no cérebro, mas estudos recentes vêm ampliando essa visão ao considerar o impacto da saúde geral do corpo.

A análise identificou associação entre maior risco de demência e 16 doenças periféricas. Entre elas estão doenças periodontais, doenças hepáticas crônicas, perda auditiva e visual, diabetes tipo 2, doença renal crônica, osteoartrite, doenças cardíacas, doença pulmonar obstrutiva crônica, asma, esclerose múltipla e doenças inflamatórias intestinais.

Somadas, essas condições foram relacionadas a cerca de 33% da carga global de demência, o equivalente a aproximadamente 18,8 milhões de casos.

Os pesquisadores destacam que esses resultados apontam para a necessidade de estratégias de saúde pública mais amplas, voltadas não apenas ao cérebro, mas também ao controle de doenças crônicas que podem influenciar a saúde cognitiva ao longo do tempo.

Cérebro depende de todos os sistemas

O neurologista Carlos Uribe, do Hospital Brasília, da Rede Américas, ressalta que estudos desse tipo mostram associações, mas não permitem afirmar causa direta.

“O que esse tipo de análise mostra é associação entre condições de saúde e maior chance de demência. Não dá para afirmar que uma doença está provocando a outra, mas há plausibilidade biológica para várias dessas relações”, afirma.

Ele explica que doenças sistêmicas podem afetar o funcionamento geral do organismo e, indiretamente, o cérebro. “Problemas hepáticos, por exemplo, podem prejudicar a eliminação de toxinas e o metabolismo. O cérebro depende do bom funcionamento dos outros sistemas do corpo para funcionar adequadamente”, diz.

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Segundo Uribe, muitas das associações já estavam bem estabelecidas na literatura médica. Relatórios internacionais recentes já apontavam fatores de risco modificáveis, como diabetes, perda auditiva e perda visual.

“Esse tipo de análise acaba reforçando o que já vinha sendo observado. A demência não costuma ter uma única causa. Ela resulta da convergência de vários fatores que variam de pessoa para pessoa”, explica.

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Ele acrescenta que a prevenção tende a ser cada vez mais individualizada. No futuro, a medicina pode identificar com mais precisão se o risco está ligado a processos inflamatórios, fatores genéticos, alterações metabólicas ou outras condições específicas.

Ilustração de cérebro humano - Metrópoles
O cérebro é o órgão mais importante do corpo

Prevenção passa pelo cuidado integral com a saúde

Para o clínico geral e geriatra Natan Chehter, membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), a principal mensagem prática é que o cuidado com doenças crônicas influencia também a saúde cognitiva.

O controle dessas condições envolve medidas específicas, mas hábitos saudáveis acabam beneficiando várias áreas do organismo.

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“Se a diabetes está bem controlada, normalmente envolve alimentação adequada, prática de exercícios e acompanhamento médico. O mesmo vale para saúde bucal, doenças inflamatórias ou cardiovasculares”, diz Natan, que é professor da Universidade Cidade de São Paulo (UNICID).

Segundo Chehter, recomendações clássicas de estilo de vida continuam fundamentais. “Fazer atividade física, manter uma boa dieta, não fumar e acompanhar a saúde regularmente ajuda a controlar várias dessas doenças. Isso pode trazer um benefício adicional ao reduzir o risco de declínio cognitivo ao longo dos anos”, afirma.

Os autores do estudo reforçam que ainda são necessários trabalhos futuros para entender melhor os mecanismos envolvidos e esclarecer se existe relação causal direta. Mesmo assim, o conjunto de evidências aponta que a saúde do cérebro está profundamente ligada ao funcionamento do corpo como um todo, o que amplia as possibilidades de prevenção da demência.


Fonte Original: Metrópoles

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