
O corpo de Dagmar Grimm Streger, de 76 anos, encontrado em um poço a cerca de 30 metros de profundidade, em Bauru (SP), apresentava uma lesão no crânio que indica que a idosa pode ter sido morta antes de ser jogada no local.
Segundo a Polícia Civil, a constatação reforça a versão apresentada pelo casal de caseiros suspeito de envolvimento no crime, que está preso.
De acordo com a investigação, a marca é compatível com o relato feito informalmente pelos suspeitos, que teriam confessado à polícia ter agredido a idosa com uma paulada na cabeça e, em seguida, jogado o corpo no poço.
Segundo o delegado Alexandre Protopsaltis, responsável pelo caso, a localização do corpo foi decisiva para o avanço das investigações.
“Encontrar o corpo foi um elemento fundamental. Confirmou toda a tese investigativa. É uma prova robusta, traz materialidade a tudo aquilo que a gente acreditava”, afirmou.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, a perícia do Instituto Médico Legal (IML) não encontrou vestígios de terra ou detritos no corpo, o que indica que Dagmar pode ter sido jogada no poço já sem vida.
Desaparecimento e prisão dos suspeitos
Dagmar Grimm Streger era proprietária de um sítio em Bauru e foi vista pela última vez no dia 19 de dezembro, mas o desaparecimento passou a ser investigado oficialmente no dia 22 de dezembro, após o registro de um boletim de ocorrência. Os restos mortais dela foram localizados na tarde desta quarta-feira (21).
O poço passou a ser considerado um possível local onde o corpo estaria após o casal de caseiros Paulo Henrique Vieira, de 55 anos, e Daniela dos Santos Vieira, de 40, confessar informalmente ter agredido Dagmar com uma paulada na cabeça e jogado o corpo no poço.
De acordo com as investigações, a dupla trabalhava e morava na mesma propriedade de Dagmar, e a relação envolvia repasses frequentes de bens e dinheiro. A Polícia Civil apura uma possível motivação financeira para o crime. O casal foi detido no dia 24 de dezembro.
A Polícia Civil também investiga um possível envolvimento do filho do casal no crime. Em depoimento informal, o caseiro chegou a atribuir o crime ao adolescente de 14 anos, mas depois assumiu a autoria. O jovem está sob acompanhamento do Conselho Tutelar de Avaré (SP).
Ainda segundo a corporação, Daniela negou participação e afirmou que estava dormindo no momento do ocorrido.
O caso é investigado como latrocínio e ocultação de cadáver.
Cerca de 30 metros de escavações
Desde o início das escavações no poço em busca de Dagmar, em 30 de dezembro, cerca de 30 metros de profundidade foram escavados até que o corpo fosse encontrado.
O poço, conhecido como poço caipira, era usado para captação de água, mas estava desativado. Por ser antigo e profundo, foi necessário ampliar o diâmetro da abertura para garantir a segurança das equipes e permitir que o maquinário pesado alcançasse os níveis inferiores. Para isso, a casa de Dagmar precisou ser demolida.
“Cada célula tem cerca de 70 centímetros de altura e precisa ser retirada uma a uma. Para isso, é necessário espaço, e a casa acabava atrapalhando o avanço das escavações. Tentamos preservá-la, mas chegamos à conclusão de que a demolição era inevitável”, explicou o coordenador da Secretaria de Obras de Bauru, Téo Zacarias.
Outra dificuldade da operação foi a retirada de vários sacos de adubo que, segundo a investigação, foram jogados sobre o corpo para tentar mascarar o odor da decomposição.
Para retirar o corpo do local, a ação durou quase três horas e foi considerada um trabalho complexo. Os bombeiros desceram de rapel no poço e enfrentaram riscos como deslizamento de terra, possível presença de gases tóxicos, grande quantidade de entulho e uma camada espessa de argila formada após as chuvas. Um vídeo registrou o momento da retirada do corpo.
Segundo o Corpo de Bombeiros, cerca de 30 pessoas participaram da operação, incluindo 12 agentes da corporação, além do apoio da Prefeitura de Bauru e da Polícia Civil.
“Nossa parte consistiu em mandar um bombeiro acima, ancorado na pá carregadeira. A gente expôs mais o corpo, que ainda estava enterrado, colocou no saco de cadáver, fez a amarração e realizamos a retirada”, explicou o tenente Vinícius Alexandre Burin.
Fonte Original: G1 Bauru e Marília







