Defensor de 53 anos foi localizado sem vida dentro de casa após vizinhos relatarem forte odor

Rodrigo Pantaleão foi encontrado morto nesta quinta-feira, 25 — Foto: Reprodução do YouTube
O advogado Rodrigo Pantaleão, encontrado morto nesta quinta-feira em sua residência no bairro Itacorubi, em Florianópolis, ganhou notoriedade nacional no fim de maio após protagonizar uma cena incomum durante uma audiência virtual: ao apresentar as alegações finais da defesa, declarou concordar com o pedido de condenação formulado pelo Ministério Público contra o próprio cliente.
Pantaleão tinha 53 anos e era inscrito regularmente na Ordem dos Advogados do Brasil em Santa Catarina (OAB-SC), com endereço profissional no Centro da capital catarinense. Sua atuação passou a ser amplamente comentada depois que o vídeo da audiência realizada em 28 de maio circulou nas redes sociais e provocou questionamentos sobre a condução da defesa.
Na sessão, que tratava de um processo envolvendo acusações de tráfico e uso indevido de drogas, o advogado afirmou: “A defesa corrobora com as afirmações exaradas pela Promotoria de Justiça. Nada mais, excelência”. A manifestação surpreendeu a juíza Carolina Ranzolin Nerbass, que considerou que o réu estava sem defesa adequada e declarou o acusado indefeso.
A magistrada interrompeu o andamento do caso, determinou que o réu constituísse um novo advogado e afirmou que, caso isso não ocorresse, seria nomeado um defensor dativo para assegurar o direito à ampla defesa. Antes mesmo das alegações finais, Pantaleão já havia recusado uma oportunidade oferecida pela Justiça para conversar reservadamente com o cliente, alegando que “não havia necessidade”.
Após a repercussão do episódio, a OAB-SC informou que oficiou a juíza responsável pelo processo para obter informações e documentos sobre a audiência e avaliar a eventual existência de infrações disciplinares no âmbito do Tribunal de Ética e Disciplina da entidade.
Nesta quinta-feira, Rodrigo Pantaleão foi encontrado morto dentro de casa após moradores da região relatarem um forte odor vindo do imóvel. Segundo a Polícia Civil, o corpo já estava no local havia alguns dias. As primeiras informações apontam que não havia sinais de invasão na residência nem lesões aparentes no advogado. A principal hipótese inicial é de morte natural, embora outras possibilidades ainda não tenham sido descartadas e a corporação aguarde o resultado do laudo necroscópico.
Em nota, a OAB-SC informou acompanhar as investigações e afirmou esperar uma apuração “célere, rigorosa e transparente”, especialmente para esclarecer se há qualquer relação entre a morte e o exercício da advocacia. A entidade também declarou que não tolerará omissão ou demora na elucidação do caso, independentemente do resultado da perícia.
FONTE: O GLOBO








