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Doador e receptor de medula óssea se tornam amigos após transplante: 'Gêmeo genético'

Há amizades que começam de formas improváveis. Neylor Chagas e Tharsis Paiva moravam em cidades diferentes, tinham histórias completamente distintas e talvez nunca tivessem se encontrado se não fosse um gesto capaz de mudar uma vida.

Em 2023, Neylor recebeu o diagnóstico de leucemia mieloide aguda, um tipo de câncer agressivo que afeta a medula óssea e o sangue. Diante disso, a rotina passou a se resumir a internações, exames e tratamentos, e o transplante de medula óssea representava a chance de um recomeço.

A esperança ganhou vida no Hospital Amaral Carvalho, em Jaú (SP), referência nacional em oncologia e o maior transplantador de medula óssea do Brasil, atendendo cerca de 80 mil pacientes por ano, sendo mais de 80% pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Foi lá que a medula óssea doada por Tharsis foi captada para o transplante de Neylor.

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Tharsis e Neylor cultivam amizade após doação de medula realizada no Hospital Amaral Carvalho (HAC) em Jaú (SP) — Foto: HAC/Divulgação
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Tharsis e Neylor cultivam amizade após doação de medula realizada no Hospital Amaral Carvalho (HAC) em Jaú (SP) — Foto: HAC/Divulgação

O procedimento foi realizado em 30 de junho de 2023, em Belo Horizonte (MG). Onze dias depois, veio a notícia aguardada, de que a medula havia “pegado”, sinal de que o organismo de Neylor respondia favoravelmente ao procedimento.

“Na última internação, foram mais de 40 dias. Você vê a vida acontecendo lá fora, mas está parado e com o transplante a gente ganha uma outra chance. Passa a dar mais valor à vida”, afirma.

Após o transplante, doador e receptor permaneceram anônimos, como prevê o protocolo. O contato entre eles só poderia ocorrer depois de um ano e meio, conforme as normas do Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), e dependia da vontade de ambos.

Assim que o prazo foi cumprido, Neylor enviou uma mensagem pelo Redome manifestando o desejo de conhecer a pessoa que havia lhe dado uma nova oportunidade. Do outro lado, o interesse era o mesmo.

Foi assim que os dois se encontraram e a amizade que nasceu daquele momento surpreendeu a todos.

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Famílias viraram amigas e já viajaram juntas após transplante de medula óssea no Hospital Amaral Carvalho (HAC) em Jaú (SP) — Foto: HAC/Reprodução
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Famílias viraram amigas e já viajaram juntas após transplante de medula óssea no Hospital Amaral Carvalho (HAC) em Jaú (SP) — Foto: HAC/Reprodução

Tharsis chegou a se hospedar na casa da família de Neylor, onde compartilhou histórias, refeições e momentos que pareciam pertencer a amigos de longa data. Depois, os dois viajaram juntos para Ilhabela.

“Ele é uma pessoa diferenciada, bondosa. Quem faz isso tem uma generosidade enorme e dá valor ao ser humano”, diz Neylor sobre o amigo.

Para Tharsis, o encontro foi um presente que não estava nos planos quando decidiu se cadastrar como doador.

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“Ter conhecido o Neylor foi um bônus. Um gêmeo genético de quem pude participar da vida. Ver que a recuperação dele foi um sucesso me dá muito orgulho da escolha de querer ser doador desde novo. Assim, ganhei um irmão de sangue e sou muito feliz de fazer parte da vida dele”, afirma.

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Tharsis conheceu mãe de Neylo após transplante — Foto: HAC/Reprodução
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Tharsis conheceu mãe de Neylo após transplante — Foto: HAC/Reprodução

🩸 Como ser um doador

A história de Neylor e Tharsis se repete, em diferentes versões, para as mais de 2,6 mil pessoas que aguardam na fila por um transplante de medula óssea no Brasil, segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO).

A busca pelo doador começa, em geral, dentro da própria família. Quando não há compatibilidade entre parentes, o Redome conecta pacientes a doadores voluntários cadastrados em todo o país.

Para se cadastrar, é necessário ter entre 18 e 35 anos e procurar um hemocentro ou hemonúcleo. Tharsis, que passou pelo processo, afirma que o receio costuma ser maior do que a realidade.

“Posso dizer que o ato de se cadastrar para ser doador do Redome é tão simples e capaz de trazer um impacto tão grande para quem está doente e para seus familiares. Muitos dizem ter receio por ser doloroso, mas, no meu caso, posso garantir que não foi nada disso. Foi um procedimento tranquilo e indolor”, finaliza.

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Assim como o hospital de Jaú (SP), a unidade de Itu (SP) será referência em tratamento oncológico na região — Foto: Divulgação/Fundação Amaral Carvalho
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Assim como o hospital de Jaú (SP), a unidade de Itu (SP) será referência em tratamento oncológico na região — Foto: Divulgação/Fundação Amaral Carvalho

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Fonte Original: G1 Bauru e Marília

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