Enquanto o mundo celebra o Dia da Água, neste domingo (22), Bauru (SP) enfrenta uma situação crítica no abastecimento hídrico.
O município mantém o racionamento há sete meses devido à baixa vazão do Rio Batalha, o principal manancial que abastece quase 100 mil moradores da cidade.
Fundo quase sem uso
Criado em 2019, o Fundo Municipal para Recuperação dos Mananciais de Águas Superficiais tem como objetivo financiar projetos de recuperação de rios, córregos e afluentes que abastecem a cidade, com prioridade para a bacia do Alto Batalha.
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Rio Batalha é o principal manancial de abastecimento de Bauru — Foto: TV Tem/ reprodução
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Os recursos do fundo vêm de 1% da tarifa de água, convênios, doações, transferências governamentais e dotações municipais.
Atualmente, o fundo possui R$ 5,8 milhões em caixa, mas desde que começou a ser alimentado, em 2022, apenas de R$ 95 mil foram efetivamente utilizados — menos de 2% do total disponível.
Entre os gastos registrados estão:
- Julho de 2024: R$ 48,5 mil em limpeza da lagoa de captação;
- Fevereiro de 2025: R$ 34 mil em batimetria para monitoramento do nível e volume de água;
- Novembro de 2025: R$ 13 mil na aquisição de drone para monitoramento da bacia do Batalha.
Questionado sobre o baixo uso dos recursos, o presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru afirmou que os investimentos estão sendo feitos de forma gradual.
“Pouco ou muito [dinheiro gasto até agora] quantificar o valor agora não posso considerar o total do desassoreamento, mas eu posso te dizer que temos que iniciar os trabalhos. Se é pouco, é o necessário para amenizar os nossos problemas”, explicou o presidente do DAE, José Carlos Viegas.
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Presidente do DAE, José Carlos Viegas, ameniza pouco uso do Fundo de Mananciais em Bauru — Foto: TV TEM/Reprodução
A legislação permite aplicar o dinheiro também na recuperação de áreas de preservação permanente. No entanto, até agora, nenhum recurso foi destinado ao reflorestamento das margens do rio. Especialistas alertam que a ausência da mata ciliar agrava o assoreamento do Rio Batalha.
“O reflorestamento é uma etapa posterior. Primeiro precisamos avançar na reconstrução do rio e no desassoreamento”, contesta o presidente do DAE.
O DAE afirma que, em 2026, o recurso será usado para o diagnóstico da bacia e o desassoreamento da lagoa, enquanto ações de reflorestamento da mata ciliar serão custeadas pelo fundo de tratamento de esgoto.
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DAE de Bauru quer realizar desassoreamento da lagoa do Rio Batalha — Foto: DAE/Divulgação
Insegurança hídrica
O DAE anunciou medidas para ampliar a segurança hídrica da cidade. Publicadas no Diário Oficial no dia 14 de março, as ações incluem o desassoreamento da Lagoa do Rio Batalha e a contratação de equipamentos para manutenção do manancial.
O racionamento, iniciado em agosto do ano passado, nunca foi totalmente interrompido e passou por ajustes conforme a variação do nível do Rio Batalha.
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Lagoa de captação Rio Batalha em Bauru (SP) em agosto de 2025 — Foto: Andressa Lara/TV TEM
Apesar das chuvas recentes, o elevado assoreamento da lagoa limita a capacidade de reservação e mantém a necessidade de cautela na gestão da água.
Entre as medidas anunciadas pelo DAE está a contratação da empresa Allonda Ambiental Ltda. para limpeza e desassoreamento da Lagoa do Batalha. O contrato está estimado em R$ 6,7 milhões e deve ampliar o volume de reservação em cerca de 90 mil metros quadrados.
Também foi publicada a contratação de uma escavadeira hidráulica anfíbia, destinada às atividades de limpeza, desassoreamento e manejo da lagoa de captação, do canal principal do Rio Batalha e de seus afluentes.
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Limpeza e desassoreamento do Rio Batalha são esperados pelos moradores em Bauru — Foto: DAE/Divulgação
Além disso, o município segue investindo em poços, adutoras e reservatórios, financiados por um empréstimo de R$ 40 milhões aprovado pela Câmara Municipal.
“Essas ações fazem parte do programa Água de Todos, que envolve iniciativas do DAE e da prefeitura. O departamento já publicou o início do processo de desassoreamento do Rio Batalha, algo esperado há muitos anos. O programa também inclui perfuração de poços, elevatórias, adutoras e reservatórios financiados por um empréstimo de R$ 40 milhões”, disse à TV TEM a prefeita de Bauru, Suéllen Rosim (PSD).
Complexo Val de Palmas
Paralelamente às medidas emergenciais, o município avança na implantação do complexo hídrico Val de Palmas, que prevê a perfuração de quatro poços profundos para captação de água do Aquífero Guarani, além da construção de adutora e reservatórios.
Até o momento, apenas o poço P2, executado como contrapartida da construtora Pacaembu, teve perfuração iniciada, em outubro de 2025.
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Perfuração de poços na região do Val de Palmas é promessa de campanha de Suéllen Rosim (PSD) — Foto: TV TEM/Reprodução
Durante reunião pública realizada na Câmara Municipal no início de fevereiro, o presidente do DAE informou que o poço já atingiu 404 metros de profundidade. Para alcançar a vazão necessária, será preciso chegar a cerca de 600 metros.
A estimativa é que a perfuração seja concluída em aproximadamente dois meses, podendo haver alterações por questões técnicas.
“O complexo será entregue por etapas, e a expectativa é concluir todo o sistema até o final do próximo ano, com uma primeira fase ainda prevista para este ano”, afirmou a prefeita de Bauru Suéllen Rosim à reportagem da TV TEM.
Fonte Original: G1 Bauru e Marília









