
Isaque Katahira atua na Etec de Palmital e na Fatec de Ourinhos. Indicado na categoria IA e Inovação Educacional da Educa Week, docente transforma curiosidade dos estudantes em soluções práticas como app de adoção pet e acolhimento emocional.
O uso da inteligência artificial (IA) como ferramenta para resolver problemas reais da comunidade rendeu ao professor Isaque Katahira, de 43 anos, morador de Ourinhos, a indicação ao Prêmio Destaque Educação, na categoria IA e Inovação Educacional.
Promovido pela Educa Week, o prêmio é considerado um dos principais reconhecimentos da educação básica na América Latina.
Docente na Fatec de Ourinhos e na Etec de Palmital (SP, Isaque contou que a ideia de incorporar a tecnologia ao ensino surgiu a partir do interesse dos próprios estudantes. A adesão motivou a equipe a direcionar a inovação para o impacto social.
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“Se os alunos estão usando no dia a dia, por que não usar isso de forma direcionada para resolver problemas da sociedade? Ao invés de ser só uma coisa teórica, a gente busca auxiliar a pessoa que está do lado, e isso vai se multiplicar como uma corrente do bem, a IA do bem”, afirmou o professor.
O docente explicou que, durante uma aula realizada há três anos, foi abordado por um estudante que apresentou a inteligência artificial. A partir daquele momento, a tecnologia deixou de ser vista como um obstáculo e passou a funcionar como aliada pedagógica.
Com a nova metodologia, os alunos assumiram o protagonismo para propor e criar ferramentas baseadas no uso ético e prático da inovação. Uma das soluções desenvolvidas foi a plataforma Meaudot, criada para conectar ONGs e adotantes para facilitar a adoção responsável de animais.
“Nós deixamos eles trabalharem com a comunidade e pegarem problemas da própria realidade. Nós professores ali somos somente os comunicadores. Eles têm talentos muito bons, só fazemos a lapidação e a orientação”, disse.
O trabalho rendeu ao docente a indicação nacional. Segundo Isaque, o reconhecimento incentiva os estudantes e valida a continuidade de pesquisas científicas. O grupo soma 19 publicações.

Projetos para a comunidade
Os projetos desenvolvidos pelos estudantes estão em diferentes etapas: alguns na fase inicial de pesquisa, outros em período de testes e parte em busca de financiamento.
O Meaudot, voltado à adoção animal, já foi apresentado em congressos e teve o protótipo testado, aguardando recursos para implementação real.
Outra iniciativa em destaque é o HelpFull, idealizado pelos alunos a partir de discussões sobre saúde mental no ambiente escolar. A ferramenta atua no acolhimento emocional inicial por meio de uma API com inteligência artificial que interage com o usuário por texto ou voz.
O objetivo é direcionar o jovem para redes de apoio tradicional, como postos de saúde e atendimento psicológico especializado. A proposta aguarda análise do Conselho de Ética em Pesquisa para testes.
O professor reforça que o aplicativo não substitui atendimentos profissionais com psicólogos, psiquiatras ou psicanalistas. A IA foi programada para evitar vieses da internet e atuar como um canal seguro de incentivo ao diálogo.

“A ferramenta visa acolher as pessoas e dizer: ‘Nós estamos aqui, você já procurou um atendimento especializado? Já conversou com seus pais?’. Porque muitas vezes fica muito fechado, e uma palavra amiga, uma orientação, evita de lá na frente ter um problema social. A ideia é que o aplicativo ajude no sentido: converse, fale, não fique sozinho. Seria como uma ‘IA do bem’, podemos dizer”, afirmou.
Além dessas iniciativas, o grupo desenvolve um estudo na fase de identificação de padrões genéticos (DNA e RNA) para classificar o vírus da dengue.










