
Por Gabriel Teles
Especialista em Estética Facial e Corporal | Ourinhos-SP
Quantas vezes você se olhou no espelho hoje?
E quantas vezes abriu a câmera frontal do celular?
Pode parecer uma pergunta banal. Mas existe uma diferença importante entre se olhar e se observar o tempo todo.
Hoje, nossa imagem nos acompanha praticamente o dia inteiro. Espelho, selfies, chamadas de vídeo, fotografias, redes sociais e filtros transformaram o rosto em algo que podemos analisar repetidamente — muitas vezes em detalhes que outras pessoas sequer perceberiam.
E quanto mais procuramos alguma coisa, mais fácil fica encontrá-la.
Uma pequena assimetria. Uma linha de expressão. Uma olheira. Uma diferença entre os lados do rosto.
Aquilo que antes era apenas uma característica pode começar a parecer um problema.
O rosto que você conhece pode não ser o rosto que você procura
Existe algo curioso na maneira como percebemos nossa própria aparência: nós nos acostumamos com pequenas mudanças porque elas acontecem gradualmente.
Mas a exposição constante à própria imagem pode fazer o contrário.
Em vez de simplesmente reconhecer o rosto, começamos a procurá-lo.
“Às vezes, a pessoa não chega dizendo que existe uma grande alteração. Ela chega apontando pequenos detalhes que passou a observar repetidamente. E quando começamos a conversar, percebemos que aquela característica já existia há anos”, explica Gabriel Teles.
Isso não significa que a preocupação seja imaginária.
Significa que a forma como enxergamos uma característica pode mudar.
A câmera também não é um espelho
Outro problema está nas fotografias.
A distância da câmera, a lente, a iluminação, o ângulo e a expressão podem modificar bastante a aparência registrada.
Uma selfie feita muito próxima do rosto, por exemplo, não representa necessariamente aquilo que outra pessoa vê quando conversa com você a uma distância normal.
Ainda assim, aquela imagem pode ser analisada dezenas de vezes.
E aí começa uma armadilha silenciosa: comparar uma fotografia específica com a imagem idealizada de outras pessoas nas redes sociais.
Só que, do outro lado da tela, também existe iluminação, maquiagem, pose, edição e seleção.
Você está comparando o seu momento mais comum com o melhor momento de alguém.
Quando o cuidado deixa de ser cuidado?
A estética pode ser uma ferramenta de autocuidado, autoestima e bem-estar.
Mas existe uma diferença entre querer cuidar de uma característica que realmente incomoda e sentir que sempre existe alguma coisa nova para corrigir.
Talvez por isso uma avaliação estética responsável não deva começar apenas com a pergunta:
“O que você quer mudar?”
Às vezes, é igualmente importante perguntar:
“O que exatamente está incomodando você?”
Porque nem toda insatisfação precisa de um procedimento.
Em alguns casos, a pessoa precisa de tratamento. Em outros, precisa apenas compreender melhor aquilo que está enxergando.
E essa diferença pode ser muito importante.
Talvez o problema não esteja no espelho
Vivemos em uma época em que nunca tivemos tanto acesso à nossa própria imagem.
Mas isso não significa que passamos a nos conhecer melhor.
Talvez, em alguns momentos, estejamos apenas nos examinando demais.
O rosto não precisa ser perfeitamente simétrico. A pele não precisa parecer um filtro. E uma expressão não precisa desaparecer para que alguém continue sendo bonito.
Antes de procurar um defeito no espelho, talvez valha a pena fazer uma pergunta diferente:
Você está realmente insatisfeito com o seu rosto — ou simplesmente passou tempo demais procurando alguma coisa para não gostar nele?
Porque, às vezes, o que precisa mudar não é o rosto.
É a maneira como aprendemos a enxergá-lo.
COLUNA SOCIAL










