Do crânio à falange distal do quinto dedo, conhecido popularmente como o mindinho do pé, um acervo inédito com mais de 80 peças sintéticas está mudando a rotina de estudantes de medicina em Jaú, no interior de São Paulo.
A coleção faz parte da primeira Biblioteca de Ossos do mundo, lançada em uma parceria entre uma universidade particular de medicina e uma empresa especializada na produção de ossos sintéticos. O objetivo é permitir que os alunos aprendam anatomia com modelos fiéis à realidade e que possam ser levados para casa.
O acervo funciona exatamente como uma biblioteca tradicional de livros. Cada estrutura anatômica é catalogada para que o aluno faça o empréstimo e faça a devolução dentro do prazo estipulado pela instituição.
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Primeira Biblioteca de Ossos Humanos do Mundo é inaugurado em Faculdade de Medicina de Jaú — Foto: Unoeste/Divulgação
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Para os estudantes, o acesso a esse material transforma o dia a dia na faculdade. A aluna de medicina Letícia Carinhato, de 24 anos, conta que retirou uma mão sintética para estudar as estruturas e as principais fraturas da região.
“Ter a peça física fez toda a diferença no meu aprendizado, porque permitiu visualizar em três dimensões, tocar nos acidentes ósseos e entender de forma muito mais prática e real como as fraturas acontecem em cada osso específico, algo que só pelos livros seria bem mais difícil de assimilar”, disse a universitária.
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Biblioteca permite que alunos retirem ossos sintéticos para ampliar os estudos — Foto: Unoeste/Divulgação
Antes do lançamento da biblioteca, o contato com o material de estudo dependia do horário de funcionamento e da capacidade de atendimento do laboratório de anatomia da faculdade.
Segundo o professor de anatomia Luiz Lupi, a possibilidade de levar as peças para casa ajuda no desenvolvimento do conhecimento prático e prepara melhor os futuros médicos.
“O médico precisa compreender a relação entre estruturas, localização, trajetos e limites anatômicos para interpretar exames de imagem, realizar procedimentos, compreender diferentes doenças e executar intervenções com segurança. Por isso, considero que a possibilidade de estudar anatomia de maneira mais prática e frequente pode contribuir para uma formação mais sólida”, concluiu o professor.
🦴 Como funciona o ‘empréstimo de ossos’
O dinamismo do acervo é semelhante ao de uma biblioteca tradicional de livros. Cada peça recebeu um código de identificação exclusivo para catalogação e controle.
Para retirar o material, o estudante escolhe um dos itens disponíveis e preenche o cadastro de empréstimo no local. Em seguida, pode levar a peça para estudar sozinho ou em grupo, com a obrigação de devolvê-la no prazo de sete dias.
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Estudantes com unidades de ossos sintéticos da primeira biblioteca de ossos humanos do mundo — Foto: Unoeste/Divulgação
No total, a coleção conta com 84 peças sintéticas doadas ao projeto. O acervo inclui estruturas como clavícula, coluna vertebral, tíbia, pé, escápula e anatomia interna do crânio, divididas em unidades avulsas e cinco conjuntos completos do esqueleto humano.
🔬 Respeito à vida
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Primeira Biblioteca de Ossos Humanos do Mundo é inaugurado no interior de SP — Foto: Unoeste/Divulgação
Diante da busca por alternativas mais sustentáveis e acessíveis, soluções como o uso de softwares e modelos artificiais vêm ganhando espaço no ensino universitário.
A cofundadora da empresa que produziu os ossos artificiais, Fabiana Franceschi, explicou que o desenvolvimento das peças surgiu justamente da necessidade de complementar a formação acadêmica respeitando critérios éticos e práticos.
“Professores, estudantes, profissionais e empresas precisavam de materiais que permitissem estudar anatomia, treinar técnicas e demonstrar procedimentos de forma prática, padronizada e com respeito à bioética”, explica a empresária.
Fonte Original: G1 Bauru e Marília









