Milagre registrado em Campo Grande ajudou a tornar Carlo Acutis santo e motiva homenagens a motoristas e jovens em Pompéia, interior de São Paulo

Quem passa pela rodovia que corta Pompeia, no interior de São Paulo, pode se deparar com uma cena pouco comum: uma estátua de dois metros de Carlo Acutis, jovem italiano canonizado em 2025, olhando para a estrada. Desde que foi instalada na praça em frente à Paróquia Nossa Senhora do Rosário, no começo de agosto, a imagem virou ponto de oração, com flores, sinais da cruz e motoristas que diminuem a velocidade para olhar o santo conhecido como “santo da internet”.
Carlo nasceu em 1991, em Londres, cresceu em Milão e morreu aos 15 anos, vítima de leucemia. Apaixonado por tecnologia, utilizou seus conhecimentos de programação para criar sites e divulgar a fé católica e os milagres eucarísticos. A trajetória fez dele uma referência especialmente entre jovens católicos.
Um santo que também passou por Campo Grande
A devoção que ganhou forma em Pompeia também toca diretamente Campo Grande. Um dos milagres atribuídos à intercessão de Carlo Acutis reconhecidos pela Igreja aconteceu na capital de Mato Grosso do Sul, em 2013, e teve papel no processo que levou à beatificação do jovem.

Na época, um menino de seis anos que sofria de uma doença grave no pâncreas teve uma recuperação considerada inexplicável pela medicina depois de tocar uma relíquia de Carlo durante uma missa na Capela Nossa Senhora Aparecida, ligada à Paróquia São Sebastião.
O caso foi investigado e reconhecido oficialmente pela Igreja, tornando-se parte do processo de beatificação de Carlo.
É justamente nesse lugar que hoje está o Santuário de Nossa Senhora Aparecida e São Carlo Acutis, considerado o primeiro santuário do mundo dedicado ao santo. A antiga Capela Nossa Senhora Aparecida foi elevada à condição de santuário por ter sido o cenário do primeiro milagre reconhecido de Carlo Acutis.
A principal referência mundial de veneração ao corpo do jovem, no entanto, está em Assis, na Itália, na Igreja de Santa Maria Maior, conhecida como Santuário do Despojamento, onde Carlo foi sepultado.
Uma estátua que nasceu no jardim
A estátua nasceu de uma busca da própria comunidade por uma referência de fé para os jovens. Guilherme Bonfim, coordenador do grupo responsável pelo projeto, conta que a ideia começou antes mesmo de existir um plano para construir a imagem. Primeiro veio a vontade de apresentar aos jovens uma figura diferente dos ídolos que costumam ocupar esse lugar.
“Os jovens têm muitos ídolos no futebol, referências como jogadores, artistas, e nós queremos trazer uma referência para eles de santidade, mostrar que é possível ser santo nos dias de hoje”, conta Guilherme.
Foi assim que Carlo passou a fazer parte da rotina da Pastoral da Adolescência e Juventude (PAJ), que reúne diferentes grupos ligados à juventude da paróquia. A comunidade passou a rezar pela intercessão do então beato e a conhecer mais sua história, até que a ideia de uma estátua surgiu quase como uma continuação natural desse caminho.

A imagem foi construída ao longo de cerca de oito meses por uma empresa de Londrina e mostra Carlo de mochila nas costas e calça jeans. A inauguração ocorreu durante a Semana Jovem da paróquia, no começo de agosto.
Antes disso, Guilherme e o padre Padula, diretor espiritual da comunidade, tinham viajado para Roma para acompanhar a canonização de Carlo, mas a morte do papa Francisco levou ao adiamento da cerimônia. Mesmo com a mudança nos planos, eles seguiram para Assis, onde visitaram o corpo do jovem santo e aprofundaram a relação da comunidade com sua história.
“Foi uma caminhada. Primeiro nós nos identificamos com o Carlo, queríamos trazer uma referência jovem para a nossa cidade, para o nosso grupo de jovens”, relata Guilherme.
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De frente para a estrada
A posição da estátua não foi escolhida por acaso. Carlo aparece voltado para a rodovia, justamente no caminho de quem segue de Pompeia em direção a Marília, Oriente e São Paulo.

A inspiração veio de uma das frases mais conhecidas do santo: “A Eucaristia é minha autoestrada para o céu”.
Para Guilherme, a imagem propõe uma reflexão a quem passa. O motorista segue pela estrada para chegar a algum destino, mas a presença de Carlo convida a pensar sobre outro caminho, o da própria vida.
“Estou dirigindo o meu carro de um ponto a outro, mas como estou dirigindo a minha vida do ponto que estou até o céu? Então é para a pessoa passar ali e fazer essa reflexão”, explica.
Guilherme conta que pessoas colocam flores aos pés da estátua, fazem orações e param diante da imagem e crianças e jovens abaixam o vidro dos carros para olhar e acenar.
Relíquias e juventude

A ligação entre Pompeia e Carlo também ganhou uma dimensão ainda mais próxima com a chegada de relíquias. Segundo Guilherme, a comunidade recebeu da mãe do santo uma relíquia de primeiro grau, com fios de cabelo de Carlo.
A imagem, por sua vez, passou a concentrar momentos de oração. O grupo do Santo Terço chega a rezar diante dela, enquanto a comunidade mantém ações voltadas aos três pilares associados à espiritualidade de Carlo: Nossa Senhora, Eucaristia e caridade.
Mais do que uma estátua em uma praça, a comunidade de Pompeia passou a enxergar a imagem como uma espécie de convite. Para quem está dentro do carro, para quem atravessa a praça ou para quem para diante dela, Carlo aparece como uma lembrança de que existe outro caminho possível.
“Não é uma adoração, mas é uma veneração de olhar para um menino que com 15 anos tinha tanta sabedoria, tanta graça de nos mostrar que a santidade é possível”, resume Guilherme.
FONTE: RCN67








