Evento é realizado há 3 anos em Jaú (SP) para celebrar o Dia Mundial da Síndrome de Down. Data é comemorada em 21 de março, e, neste ano, o piquenique será neste sábado (22).
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Com a ideia de criar um espaço de acolhimento, inclusão e interação entre as crianças quem têm síndrome de Down, um grupo de mãe idealizou um piquenique comunitário que chega à terceira edição neste sábado (22), em Jaú (SP). Nesta sexta-feira (21) é comemorado o Dia Mundial da Síndrome de Down.
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Com atividades adaptadas, brincadeiras ao ar livre e oficinas de interação, o encontro tem como foco a importância da socialização para o desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças com Down (veja mais detalhes do evento).
O g1 conversou com três mães que são responsáveis pela organização do evento, e cada uma compartilhou sua experiência pessoal e a importância do piquenique para a conscientização e a inclusão de crianças com síndrome de Down.
Por trás da organização
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Mirian compartilhou a luta que teve desde a descoberta da síndrome de Down em sua filha, Helena — Foto: Arquivo pessoal
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Mirian Garcia Borgo, umas das mães e organizadoras do evento, relatou com emoção a luta que enfrentou desde o diagnóstico da filha, Helena. Ao vivenciar uma espécie de luto com a notícia, ela relembra um momento crucial em que Deus a “chacoalhou”, fazendo-a refletir sobre a aceitação de sua filha e a decisão de lutar por ela.
“Eu guardei no bolso o luto e comecei a lutar pela minha filha. Corri atrás. A nossa rotina, desde quando ela nasceu, é uma rotina diária, sem interrupção, fora a parte da cirurgia e da pandemia, que às vezes fazia, vinham profissionais em casa para fazer terapia com ela ou era online.”
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Miram lembra que um dos momentos mais angustiantes foi quando Helena precisou passar por uma cirurgia cardíaca com poucos meses de vida. A operação foi um marco nas vidas da mãe e da filha, e Mirian considerou como um milagre a bebê ter se recuperado de maneira tão rápida: “A Helena foi a paciente com a recuperação mais rápida que a médica já teve, e eu sei que é um milagre de Deus”.
Durante a pandemia de Covid-19, Helena já estava em recuperação e, apesar das dificuldades de acompanhamento médico devido ao isolamento social, Mirian manteve as terapias e o acompanhamento necessário para garantir o bem-estar de sua filha.
A mãe destaca que Helena é uma criança doce e inteligente, com uma personalidade forte e um lema muito claro: “Ela não é um ‘anjinho’, mas, sim, uma pessoa que merece respeito”. A mãe completa que Helena “se destaca pela forma como se posiciona e por sua maneira única de encarar a vida”.
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Helena se destaca pela forma como se posiciona e por sua maneira de encarar a vida — Foto: Arquivo pessoal
Superação de desafios
Érica Santilli do Nascimento Vannuzini, mãe de Matias, tem 43 anos e é advogada. Sua jornada como mãe de um filho com síndrome de Down começou com um susto. Como durante a gestação não foi identificado que Matias teria a trissomia do cromossomo 21, a notícia só foi dada após o nascimento.
Para Érica, ser mãe de Matias é uma experiência transformadora, repleta de desafios, mas também de muito aprendizado — Foto: Arquivo pessoal
Sem conhecimento prévio sobre a síndrome, Érica e o marido se sentiram perdidos. Mas, com muito carinho e dedicação, Érica percebeu que, apesar das dificuldades iniciais, Matias poderia se desenvolver como qualquer outra criança, apenas com um ritmo um pouco mais lento.
“Eu queria só proteger o Matias do mundo. Mas isso durou uns 15 dias. Depois, nós partimos para as terapias e, com um mês, ele já estava fazendo terapias, e, à medida que ele foi respondendo a tudo isso, o meu coração foi se tranquilizando. Ele teria um desenvolvimento um pouquinho mais lento em algumas situações, mas ele ia se desenvolver com muita estimulação, amor e carinho.”
Toda essa rotina faz a diferença na vida do Matias, que, além das terapias, pratica esportes e atividades religiosas. A advogada destaca que ser mãe dele é uma experiência transformadora e repleta de desafios, mas também de muito aprendizado.
“Não trocaria o Matias por nada, não escolheria ele diferente, não escolheria ele sem a síndrome de Down. É um amor inexplicável. Acho que mais ele me ensina do que eu ensino ele, a verdade é essa. E ele completa nossa família, ele é filho único, mas faltava ele para completar a nossa família e não podia ser diferente, eu escolheria ele mil vezes desse jeito”, diz Érica.
Legado de amor e esperança
A psicóloga Carolina de Miranda Prado, de 39 anos, já era mãe do Gabriel, hoje com quatro anos, quando engravidou de Bruno, que nasceu com síndrome de Down. O bebê também tinha uma cardiopatia, problema recorrente em pessoas com diagnóstico da síndrome. Por causa das complicações de saúde, Bruno morreu aos cinco meses de vida.
Carolina e sua família enfrentaram muitas dificuldades durante o tempo em que Bruno esteve com eles, mas a experiência com o pequeno foi transformadora e, desde sua partida, ela tem se dedicado a escrever sobre ele e a participar de projetos que mantêm viva sua memória e a luta pela inclusão das crianças com síndrome de Down.
Apesar de Bruno ter vivido pouco tempo, sua passagem deixou uma marca profunda na vida de Carolina e sua família. Para ela, a maior lição foi sobre o amor incondicional, algo que ela nunca havia entendido plenamente até o nascimento do filho.
“Eu sempre ouvi dizer que as crianças, a pessoa com síndrome de Down, transmitia muito amor, e eu não conseguia entender isso até que o Bruno nasceu. E, a partir desse momento, isso ficou muito claro para mim, porque é como se eles olhassem com um olhar amoroso, com um olhar que fala, que se comunica apenas com os olhos.”
Carol é grata pela breve convivência com Bruno e espera que o legado dele continue vivo: “É uma missão para a gente continuar defendendo essa causa, as pessoas que têm os seus direitos garantidos e, para incluí-los, para garantir que eles tenham os mesmos direitos da pessoa típica, que eles possam receber os necessários para se desenvolver.”
Carol é grata pela breve convivência com Bruno e deseja que seu legado continue vivo — Foto: Arquivo pessoal
Acompanhamento com especialista
As crianças fazem acompanhamento com a psicopedagoga Bruna Rossini Grillo, que é especialista no atendimento de pessoas com a síndrome.
Bruna explica que, para as crianças com Down, a interação social em eventos como o piquenique é de extrema importância, já que oferece a oportunidade de se conectar com outras crianças, e aprender sobre empatia, respeito e convivência.
“Essa interação social vai além de uma simples convivência. Ela oferece uma oportunidade única para as crianças se sentirem compreendidas e parte de um grupo, além de se desenvolverem em um ambiente inclusivo, onde podem aprender com os outros e também compartilhar suas próprias experiências. Quando as crianças têm a oportunidade de interagir com outras que compartilham experiências semelhantes, elas aprendem a conviver de forma mais empática e natural.”
Além disso, o piquenique oferece um espaço onde a diversidade é celebrada, reforçando a ideia de que ser diferente não é um problema, mas algo enriquecedor para todos os envolvidos. A psicopedagoga também destacou que a principal barreira para a inclusão de crianças com síndrome de Down é a falta de informação, que frequentemente resulta em preconceito e discriminação.
“A sociedade ainda carece de um conhecimento mais profundo sobre as necessidades e potencialidades das crianças com síndrome de Down. A mensagem central que precisamos reforçar é que todas as crianças precisam de oportunidades reais para se desenvolver”, finaliza Bruna.
Piquenique
O piquenique comunitário de Jaú não é apenas uma celebração ao Dia Mundial da Síndrome de Down, mas também um espaço de luta e resistência. O evento será neste sábado, a partir das 10h.
A programação contará com diversas atrações e um público cada vez mais engajado. Neste ano de 2025, o evento terá a participação especial da tradicional banda Carlos Gomes, da cidade de Jaú, que se apresentará no Parque do Rio Jaú, com o tema “Suporte para quem precisa, todos, juntos, apoiando a inclusão. Seja rede de apoio!”.
Piquenique comunitário para conscientização da síndrome de Down é realizado pela terceira vez em Jaú — Foto: Arquivo pessoal
O piquenique, que é aberto ao público em geral, trará ainda muitas atrações para o entretenimento das crianças, como brinquedos infláveis, carrinhos de pipoca, algodão doce, sorvete, bolo, salgadinhos e uma variedade de bebidas.
Os participantes poderão aproveitar o dia com atividades como torta na cara, pintura no rosto e a presença de personagens como Mickey, Minnie, Moana e Homem-Aranha.
FONTE: G1

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