Daiana Gisele Müller, de 38 anos, assassinada em Ipira, no Oeste de Santa Catarina, solicitou uma medida protetiva de urgência contra o ex-marido Lorinei Morais 12 dias antes ser achada morta, na terça-feira (21). O homem foi preso após se apresentar na polícia e é investigado por feminicídio.
Além de pedir a medida na Justiça, Daiana também acionou o “botão do pânico” no dia em que foi assassinada, informou a Polícia Militar (PM). A ferramenta, instalada no celular de vítimas de violência doméstica, é usada para alertar as forças de segurança sobre o descumprimento de medidas protetivas. A tecnologia e é defendida por especialistas (leia mais abaixo).
Após o botão do pânico ser acionado, uma viatura foi enviada com urgência à casa da vítima, na região conhecida como Linha Capelinha, onde os agentes encontraram o imóvel arrombado. O corpo de Daiana foi achado submerso em um riacho próximo.
Agora, um laudo pericial vai determinar o horário exato do óbito e as causas da morte. A suspeita é de que a mulher tenha sido morta menos de uma hora após o pedido de socorro.
Lorinei foi preso após se apresentar no pelotão da PM na cidade vizinha de Presidente Castello Branco. Em depoimento, ficou em silêncio. Ele é pai dos dois filhos da vítima, de 8 e 13 anos.
A medida protetiva é uma ordem judicial de urgência criada para resguardar mulheres em situação de violência doméstica, afastando o agressor do lar e proibindo qualquer tipo de contato. Já o botão do pânico faz parte do programa Rede Catarina de Proteção à Mulher, da PMSC, que atua na prevenção e no enfrentamento da violência doméstica. O recurso é voltado à proteção de mulheres que possuem medidas protetivas de urgência e permite que elas acionem a polícia em situações de risco.
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Vítima foi identificada como Daiana Gisele Müller — Foto: Redes sociais/Reprodução
Daiana procurou delegacia para pedir medida protetiva
Segundo o delegado Vinicius Ferraz, responsável pelo caso, no dia em que pediu a medida protetiva, Daiana foi até a delegacia da cidade e registrou um boletim de ocorrência por ameaça contra o ex.
Ao deferir o pedido, a Justiça determinou que o suspeito não fizesse contato com a mulher e que mantivesse uma distância mínima de 100 metros dela.
“As investigações prosseguem para o esclarecimento integral das circunstâncias do fato, entre elas o meio empregado e a observância das medidas protetivas então vigentes. Confirmado que o crime foi praticado em descumprimento das medidas deferidas, incide a causa de aumento prevista no artigo 121-A, parágrafo 2º, inciso IV, do Código Penal, com elevação da pena de um terço até a metade”, disse o delegado.
Medidas protetivas são fundamentais, diz especialista
Em entrevista ao g1, a advogada Tammy Fortunato, especialista em questões de gênero, destacou que as medidas protetivas são fundamentais para prevenir novas agressões e evitar casos mais graves de violência contra a mulher, incluindo o feminicídio. Segundo ela, embora não representem uma proteção automática, as medidas têm força legal.
“É algo simples, mas tem muita força de proteção à mulher que está em situação de violência. Se tem uma medida protetiva, é porque já teve uma violência. E essa medida protetiva é justamente para evitar que aconteça uma violência futura”.
Em nota na terça, a Polícia Civil catarinense também destacou que toda violação de medida protetiva deve ser comunicada de imediato, pelo telefone 190 em situações de emergência ou pelo 181. Segundo a corporação, a comunicação permite a resposta policial e a adoção das providências.
SC tem aumento de feminicídios
Santa Catarina registrou um aumento de 10,5% nos casos de feminicídio em comparação com o mesmo período do ano passado.
Entre 1º de janeiro e 15 de outubro deste ano, foram confirmadas 42 mortes de mulheres motivadas pelo gênero. No mesmo intervalo de 2025, o estado havia contabilizado 38 ocorrências.
Fonte Original: G1








