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Ortopedista diz por que atletas sofrem tanto com lesões ligamentares

Entre os últimos atletas com lesão ligamentar constatada, está o atacante brasileiro Rodrygo, que perderá a disputa da Copa do Mundo

Para quem acompanha o mundo do esporte, é comum escutar notícias sobre as lesões de atletas. Independente da modalidade, quem tem o corpo como a principal ferramenta de trabalho sabe que está à mercê de ocorrências que podem o” deixar de molho” por um bom tempo, especialmente quando se trata de lesões no ligamento do joelho.  

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Nas últimas semanas, um caso em específico tomou conta dos noticiários: a contusão do atacante Rodrygo, do Real Madrid (ESP), que rompeu o ligamento cruzado anterior (LCA) e o menisco lateral, em maio, durante uma partida do campeonato espanhol. Devido à gravidade da lesão, o tempo de recuperação varia entre seis a 12 meses, fazendo o jogador perder a disputa da Copa do Mundo deste ano.

Outra situação semelhante ocorreu recentemente, mas com outras proporções. Durante o Mundial de Skate Street de São Paulo, a skatista Rayssa Leal sofreu uma queda. Exames posteriores mostraram que ela sofreu uma contusão óssea, mas não houve ruptura ligamentar ou do menisco, o que facilita a reabilitação.

Para o que serve o ligamento e por que é difícil recuperá-lo

Os ligamentos são faixas rígidas e resistentes de tecido conjuntivo, que servem para a conexão da coxa à tíbia e à perna. Ele são responsáveis por estabilizar a articulação e permitir o joelho a dobrar e se esticar. Além disso, a estrutura também tem função de proteção, limitando movimentos anormais que causem deslizamentos ou torções durante atividades, como caminhar, correr e girar. 

Entre os principais ligamentos do joelho, estão:

  • Ligamento Cruzado Anterior (LCA): fica no centro do joelho e evita o deslocamento da tíbia para frente, em relação ao fêmur;
  • Ligamento Cruzado Posterior (LCP): também fica no centro da articulação do joelho, mas evita o deslocamento para trás, em relação ao fêmur;
  • Ligamento Colateral Medial (LCM): fica na parte interna do joelho e controla os movimentos laterais;
  • Ligamento Colateral Lateral (LCL): tem a mesma função do LCM, mas fica na parte externa do joelho.

Segundo o ortopedista Marcus Montenegro, como os ligamentos têm menor irrigação sanguínea que os músculos, por exemplo, a recuperação é mais lenta. Isso porque é por meio do sangue que chegam o oxigênio, os nutrientes e as células de defesa para curar a lesão.

“Além disso, quando um ligamento é lesionado, a articulação pode perder estabilidade, aumentando o risco de novas lesões”, completa o especialista, que também é médico do esporte do Hospital DF Star, em Brasília.

Rompimento do ligamento cruzado anterior (LCA): por que é tão temido?

No caso de atletas de esportes com muita movimentação, como futebol, basquete e handebol, lesões no LCA são bastante temidas, pois afetam diretamente a estabilidade do joelho e limitam movimentos importantes durante a disputa, como alterações rápidas de direção.

“O futebol exige mudanças constantes de direção, e quando o joelho sofre uma torção em posição desfavorável, o ligamento pode não suportar a carga e se romper. Muitas vezes o atleta relata um estalo no momento da lesão, seguido de dor, inchaço e dificuldade para continuar o jogo”, exemplifica o ortopedista Jonatas Brito, membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT).

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Homem com roupa de esporte segura o jorlho - Metrópoles
Lesões no ligamento podem acontecer durante a realização de movimento simples, como girar ou saltar

Em situações mais graves, junto da contusão no LCA, ocorre um trauma no menisco – como na lesão de Rodrygo. A estrutura cartilaginosa também protege o joelho e serve como um amortecedor entre os ossos da região.

“Quando o menisco também é lesionado, o tratamento precisa considerar não apenas a reconstrução ligamentar, mas também a preservação ou reparo do menisco, o que pode influenciar diretamente no tempo de recuperação e na qualidade do retorno ao esporte”, diz Brito, que é especialista em joelho e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Quando a cirurgia é recomendada para atletas?

As opções de recuperação dependerão da gravidade da lesão. Se leve, o tratamento pode ser mais conservador, focando em fisioterapia, controle da dor, do inchaço e fortalecimento muscular. Se grave, é indicada a realização de cirurgia para reconstruir o ligamento, através de enxerto.

“Mesmo após a recuperação, o atleta pode apresentar déficit de força, controle muscular ou confiança no movimento, o que pode afetar o desempenho e aumentar o risco de novas lesões”, alerta Montenegro.

Para prevenir contusões no local, o especialista do DF Star aponta que o ideal é realizar treinamentos focados em fortalecimento, equilíbrio e controle do movimento. Análises de tecnologias de monitoramento ajudam a reduzir as chances de contusão.

Mesmo assim, a condição continua sendo comum em esportes de alto rendimento, pois ocorre durante a realização de movimentos simples e comuns, incluindo desaceleração, giros e saltos.

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Fonte Original: Metrópoles