
Na noite de 29/07, tive a alegria de participar de uma roda de conversa muito especial, em um ambiente acolhedor, regado a caldos, vinhos e, acima de tudo, boas conversas. O evento reuniu pessoas dispostas a refletir sobre um tema que, embora pareça simples, nos acompanha durante toda a vida: o que é viver bem?
Compartilhei essa experiência ao lado da reitora da Unifio, Glaucia Librelato, da médica nutróloga Dra. Isabella Carvalho, do psicanalista André Reis e dos anfitriões Patrícia e Fábio, que conduziram a conversa com leveza, sensibilidade e muita generosidade, conectando diferentes perspectivas em uma noite memorável.
Falamos sobre felicidade, medo, coragem, limitações, espiritualidade e sobre como cada um de nós constrói a própria forma de viver bem.
Ao longo da conversa, uma pergunta ficou ecoando em mim: afinal, o que é felicidade?
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Na minha visão, felicidade não é um estado permanente. Ela é um sentimento. E, justamente por ser um sentimento, ela acontece em momentos específicos da vida. É quando alcançamos um objetivo, realizamos um sonho ou simplesmente vivemos uma experiência que faz sentido para nós.
Pode ser uma grande conquista, mas também pode estar em coisas extremamente simples: um almoço em família, uma conversa sincera, um abraço inesperado, um tempo dedicado a quem amamos ou até um momento de silêncio depois de um dia intenso.
Acredito que esses instantes alimentam nossa memória afetiva e nos mostram o que realmente importa.
Penso, inclusive, que se fôssemos plenamente felizes o tempo todo, talvez nem soubéssemos reconhecer a felicidade. Da mesma forma que só compreendemos o valor da luz porque conhecemos a escuridão, só percebemos a intensidade da felicidade porque ela surge entre tantos outros sentimentos que fazem parte da experiência humana.
Por isso, viver bem não significa viver em constante euforia. Significa construir uma vida em que esses momentos de felicidade tenham espaço para acontecer.
Outro tema que me marcou profundamente foi a espiritualidade.
Costumamos confundir espiritualidade com religião, mas acredito que são coisas diferentes.
Religião faz parte da identidade de muitas pessoas e merece todo respeito. Cada um tem o direito de viver sua fé da maneira que considera verdadeira. Entretanto, a espiritualidade vai além de qualquer denominação religiosa.
Espiritualidade é a capacidade de olhar para o outro com empatia, de exercer o bem, de acolher as diferenças e compreender que ninguém enxerga o mundo exatamente da mesma forma.
Quando a fé aproxima pessoas, inspira amor, respeito e cuidado, ela cumpre um papel transformador. Mas quando qualquer crença se torna motivo de julgamento, intolerância ou separação, perdemos a essência daquilo que deveria nos tornar mais humanos.
Não digo, de forma alguma, que as pessoas não devam ter uma religião. Pelo contrário. A religiosidade pode ser um caminho importante para muitas vidas. O que acredito é que, independentemente da religião escolhida, todos nós precisamos cuidar da nossa espiritualidade. Ela é o que nos permite praticar o bem, agir com compaixão e reconhecer a dignidade de quem pensa, vive ou acredita de maneira diferente da nossa.
Saí daquela noite com uma certeza ainda maior: viver bem não é ter uma vida perfeita. É construir, todos os dias, uma vida com propósito, relações verdadeiras e espaço para sentir, aprender, recomeçar e compartilhar o bem. É isso que, para mim, faz a felicidade valer a pena.
Nayara Pires
Arquiteta e Urbanista | Mestre e Doutora em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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