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'Dia Nacional da TV': como um projeto nascido em Bauru virou modelo do sistema de afiliadas da Globo

Em 24 de outubro de 1984, Bauru (SP) se tornava mais uma vez pioneira na televisão brasileira. A estreia da Rede Globo Oeste Paulista marcou a criação do primeiro projeto de interiorização da TV Globo, que deu origem ao sistema de afiliadas usado pela emissora até hoje em todo o país.

Nesta sexta-feira (18) é celebrado o Dia Nacional da Televisão, em referência à primeira transmissão de TV no Brasil, feita pela TV Tupi em 18 de setembro de 1950. Hoje a TV Globo é a maior emissora do país, e nesta data o g1 conta como Bauru teve papel decisivo na história da rede.

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Fachada Rede Globo Oeste Paulista em Bauru — Foto: TV TEM/Reprodução
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Fachada Rede Globo Oeste Paulista em Bauru — Foto: TV TEM/Reprodução
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O projeto, idealizado por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, nasceu com a missão de aproximar o jornalismo do interior paulista e acabou se tornando a matriz estrutural do sistema de afiliadas da Globo.

A novidade ocupou a concessão histórica do Canal 2, que entrou no ar pela primeira vez em 1º de agosto de 1960 como TV Bauru, fruto do sonho do empresário João Simonetti de criar o primeiro canal fora de uma capital na América Latina.

Por conta dos altos custos de manutenção, a emissora foi vendida ainda no início para a Organização Victor Costa (OVC). Em 1965, quando a OVC foi incorporada ao Grupo Globo, passou a operar como retransmissora com bloco local.

No final de 1973, a programação local foi interrompida por um hiato de sete anos, período em que uma única equipe cobria todo o interior e enviava fitas gravadas para São Paulo.

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Equipe de reportagem da Rede Globo Oeste Paulista — Foto: Arquivo/TV TEM
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Equipe de reportagem da Rede Globo Oeste Paulista — Foto: Arquivo/TV TEM

Até que, em 1984, com a estreia da Rede Globo Oeste Paulista, a emissora passou a integrar oficialmente a Central Globo de Jornalismo (CGJ) e se consolidou como produtora de conteúdo jornalístico regional. A ideia era aproximar o jornalismo da Globo das cidades do interior, um conceito pioneiro que moldou o modelo de afiliadas em todo o Brasil.

Com central de edição em Bauru e sucursais em Marília, Presidente Prudente, Araçatuba e São José do Rio Preto, a implantação foi liderada pela jornalista Neusa Rocha e exigiu a importação de profissionais de outros estados devido à falta de editores locais.

“A gente começou a montar toda a parte de edição em Bauru. Foi bem complicado, porque não tinha editor na cidade, então a gente tinha que importar gente do Paraná, de São Paulo, do Mato Grosso…”, recorda Neusa.

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SAIBA MAIS

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Amauri Soares e o jornalista Celso Pelosi, na Rede Globo Oeste Paulista — Foto: Arquivo/TV TEM
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Amauri Soares e o jornalista Celso Pelosi, na Rede Globo Oeste Paulista — Foto: Arquivo/TV TEM
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Foi nesse ambiente de inovação comunitária que surgiram nomes como o bauruense Amauri Soares, atual Diretor dos Estúdios Globo, que destaca até hoje o aprendizado dessa fase:

“Você faz televisão para as pessoas que você encontra no dia a dia. Na fila do banco, no supermercado. Essa televisão próxima, responsável, que se vê como parte da comunidade, é a televisão que eu aprendi a fazer e faço até hoje”, afirma Amauri.

Gilberto Barros, que entrou na emissora ainda na década de 1980, foi o primeiro apresentador fixo do jornal local após anos sem produção regional. Ele participou da estreia dos blocos regionais do SPTV e acompanhou o nascimento das novas sedes do projeto.

“O teleprompter era uma manivela. A gente inventou com bobina de Telex”, conta Gilberto.

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Gilberto Barros apresentando o SPTV na Rede Globo Oeste Paulista em Bauru (SP) — Foto: Arquivo/TV TEM
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Gilberto Barros apresentando o SPTV na Rede Globo Oeste Paulista em Bauru (SP) — Foto: Arquivo/TV TEM

Além disso, ele fazia reportagens fora do estúdio, e as câmeras usadas em externas muitas vezes eram as mesmas da estrutura interna.

“Fiz a reportagem, corri para Bauru, editamos a matéria, fui guiando a Veraneio, cortando Bauru. Entrei correndo, jogava a fita na mão do supervisor e sentava no estúdio: ‘Boa noite'”, lembra.

Pioneirismo da televisão bauruense

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Fachada da Rádio PRG-8 em Bauru (SP) — Foto: Arquivo/TV TEM
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Fachada da Rádio PRG-8 em Bauru (SP) — Foto: Arquivo/TV TEM
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Em 1º de agosto de 1960, quando a TV Bauru, criada pelo empresário João Simonetti, entrou no ar pela primeira vez, o desafio não era apenas transmitir, mas inventar a televisão. Sem videotape, que permite a reprodução de conteúdos gravados, e sem modelo a seguir, o que se via no ar era feito ao vivo, no improviso, com criatividade e coragem.

“Era programa ao vivo. Se errou, está errado. A programação começava às 14h e ia até 0h”, lembrou Paulo Simonetti, neto de João Simonetti, criador da TV Bauru.

Eram justamente as transmissões 100% ao vivo que atraíam a curiosidade da população de Bauru. Abel Fernando, um dos primeiros apresentadores da emissora e também seu diretor artístico, foi uma das figuras mais marcantes dessa fase.

A concessão veio com a condição de que a cidade tivesse, no mínimo, mil televisores vendidos e instalados. A família firmou uma parceria com a empresa Rebratel, que fabricava os aparelhos. Abel se recorda de uma das primeiras ações da emissora para conseguir vender televisores, a qual parou um dos principais centros comerciais da cidade:

“Trânsito impedido! Por quê? Porque ia ser feita uma demonstração para o povo que não conhecia a televisão. Aquele povo todo que frequentava as vitrines da Batista de Carvalho se concentrou ali para ver o que era a televisão. ‘Ó, o senhor vai aparecer ali naquele aparelho, está vendo? Não assusta, não…’. Quando acenderam o painel de mil velas, o homem arregalou os olhos. Assim que viu sua imagem se mexendo no aparelho, mexeu no chapéu, viu o chapéu se mexer na tela e saiu correndo, assustado, sob gargalhadas do povo.”

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Teleteatros encenados ao vivo faziam parte da programação da TV Bauru - Canal 2 — Foto: Arquivo/TV TEM
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Teleteatros encenados ao vivo faziam parte da programação da TV Bauru – Canal 2 — Foto: Arquivo/TV TEM

Os primeiros formatos misturavam jornalismo, entretenimento e cultura. O teleteatro, os programas musicais e até apresentações de bandas ao vivo faziam parte da grade diária.

O estúdio improvisado surgiu no mesmo espaço onde funcionava a Rádio Bauru Clube (PRG-8), no bairro Bela Vista. O antigo auditório foi transformado em estúdio, com câmeras limitadas e soluções criativas para luz e cenário.

“Lá na Bela Vista, onde era a rádio, tinha o auditório. Então, nós acabamos com o auditório e passou a ser a TV ali mesmo”, lembra Paulo Simonetti.

Grandes nomes da música brasileira lembram dos estúdios da TV Bauru. Ao lado de bandas locais, esses artistas tinham presença marcante na programação. O cantor e compositor Moacyr Franco foi um deles e se apresentou na emissora na década de 1970.

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Moacyr Franco se apresentou na TV Bauru - Canal 2 — Foto: TV TEM/Reprodução/Arquivo pessoal
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Moacyr Franco se apresentou na TV Bauru – Canal 2 — Foto: TV TEM/Reprodução/Arquivo pessoal

“O estúdio era bem rudimentar, bem ‘simplinho’, com aqueles panelões de luz. Então, o estúdio era um forno, era quente, uma barbaridade. A gente suava, ensopava, mas aquela televisão foi muito emblemática. Não tinha gravação, era ‘na marra’, né?”, lembrou o compositor em entrevista à TV TEM.

Jornalismo comunitário

Em 1998, a emissora passou por uma nova reestruturação, tornando-se TV Modelo e ajustando sua área de cobertura.

Quatro anos antes, em 1994, Presidente Prudente deixou a Rede Globo Oeste Paulista. Anos antes, São José do Rio Preto e Araçatuba já tinham saído da cobertura de Bauru e se transformado em Globo Noroeste Paulista.

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Fachada TV Modelo em Bauru — Foto: TV TEM/Reprodução
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Fachada TV Modelo em Bauru — Foto: TV TEM/Reprodução

Com a transição para a TV Modelo, a emissora passou por uma mudança filosófica de maior aproximação com a comunidade. A televisão do interior falava com nomes e rostos conhecidos, com as histórias do bairro e da cidade.

“Foi um grande projeto. A TV virou mais comunitária. A gente falava com a Dona Maria, com o Seu José. As pautas ficaram mais locais”, explica Tânia Guerra, que entrou em 1996 e viveu as fases da Globo Oeste Paulista, TV Modelo e TV TEM.

Foi nessa fase que surgiram quadros voltados à comunidade, como “A Cidade Reclama”, que ficou no ar até 2005, e o “Reage Bauru”, exibido em 2002 nos telejornais da emissora.

A chegada da era digital

A fase mais recente começou em 2003. A família do jornalista esportivo J. Hawilla comprou a TV Modelo e outras emissoras afiliadas da Globo em Sorocaba, São José do Rio Preto e Itapetininga, formando o grupo que hoje é a TV TEM.

Com a nova gestão, veio também a revolução tecnológica. A TV TEM liderou a transição para o sinal digital, em 2012, oferecendo imagem e som em alta definição muito antes de se tornar obrigatório.

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J. Hawilla inaugurando o sinal digital da TV TEM em Bauru — Foto: Arquivo/TV TEM
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J. Hawilla inaugurando o sinal digital da TV TEM em Bauru — Foto: Arquivo/TV TEM

“A ideia é estar sempre olhando para frente. O digital mudou o patamar da televisão”, diz Stefano Hawilla, atual presidente da TV TEM.

“A gente busca sempre a identificação com o nosso público. O que eles vivem, o que querem ver, o que consomem nas cidades onde moram. Nosso papel é mostrar o interior do jeito que ele é, com sotaque, cultura, histórias reais e personagens que fazem a diferença”, reforça Francine Ramagnoli, diretora de programação da TV TEM.

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Confira a linha do tempo da pioneira TV Bauru até a TV TEM, afiliada Globo — Foto: Arte/TV TEM
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Confira a linha do tempo da pioneira TV Bauru até a TV TEM, afiliada Globo — Foto: Arte/TV TEM


Fonte Original: G1 Bauru e Marília

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