
Uma cidade não se mede apenas pela beleza de suas praças, pela arquitetura de seus edifícios ou pela organização de suas avenidas. Uma cidade verdadeiramente boa é aquela que acolhe todas as pessoas, independentemente da idade ou da condição física. É aquela que permite que todos circulem, permaneçam e usufruam dos espaços públicos com segurança, autonomia e dignidade.
Em Ourinhos, percebemos avanços importantes em algumas áreas, especialmente na região central. Calçadas mais cuidadas, praças revitalizadas e espaços de convivência mostram a preocupação com a qualidade urbana. No entanto, basta nos afastarmos um pouco do centro para encontrarmos uma realidade bastante diferente. Calçadas irregulares, ausência de rampas, obstáculos no caminho, pisos danificados e espaços públicos sem manutenção tornam a cidade inacessível para muitas pessoas.

E é justamente aí que precisamos refletir: a cidade não termina onde acaba o centro. Os bairros também fazem parte da identidade de Ourinhos e merecem o mesmo cuidado. Não é suficiente concentrar investimentos apenas nos locais de maior circulação ou visibilidade. O direito à cidade deve chegar a todos os cantos, garantindo igualdade de oportunidades e qualidade de vida para toda a população.
A acessibilidade não beneficia apenas pessoas com deficiência. Ela atende idosos, gestantes, pessoas com mobilidade reduzida temporária, crianças, famílias com carrinhos de bebê e qualquer cidadão que utilize os espaços públicos. Quando uma calçada é bem executada, quando há rampas, pisos regulares, arborização adequada e mobiliário urbano planejado, toda a cidade ganha.

Da mesma forma, sustentabilidade vai além do plantio de árvores ou da preservação ambiental. Ela também está presente quando projetamos espaços públicos duráveis, seguros, acessíveis e preparados para atender às necessidades das gerações atuais e futuras. Cuidar das praças, das calçadas, da arborização e dos equipamentos urbanos é investir em saúde, convivência, inclusão e pertencimento.
Como arquiteta e urbanista, acredito que projetar cidades é, acima de tudo, projetar qualidade de vida. A verdadeira beleza urbana nasce quando estética, funcionalidade e inclusão caminham juntas. Um espaço bonito, mas inacessível, deixa de cumprir sua principal função: servir às pessoas.


Precisamos olhar para Ourinhos como um todo, e não apenas para os lugares que estão sob os holofotes. Os bairros mais afastados também merecem infraestrutura de qualidade, espaços públicos acolhedores e condições para que seus moradores vivam com dignidade.
Uma cidade só pode ser considerada desenvolvida quando todos conseguem fazer parte dela. O espaço público não pertence à maioria, nem à minoria. Ele pertence a todos. E somente quando cada cidadão puder caminhar, permanecer e viver a cidade com autonomia e segurança poderemos dizer que construímos uma Ourinhos mais humana, sustentável e verdadeiramente inclusiva.


Nayara Pires
Mestre e Doutora em Arquitetura e Urbanismo pelo Mackenzie.
Arquiteta e artista plástica.
@nayarapiresarquitetura
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