Sua casa conta quem você é?

Nayara Sem Fundo Qualidade

Muito antes de alguém perguntar quem você é, a sua casa já começou a responder.

Os objetos que você escolhe, as cores que aparecem nas paredes, aquilo que você deixa à mostra e até o que prefere esconder dizem muito sobre sua personalidade, sua história e a maneira como você vive. Uma casa nunca é apenas um conjunto de paredes, móveis e revestimentos. Ela é, de certa forma, uma extensão de quem mora ali.

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Por isso, acredito que um bom projeto de arquitetura não deve começar pela escolha de um estilo. Antes de decidir se uma casa será contemporânea, clássica, minimalista ou rústica, existe uma pergunta muito mais importante: quem são as pessoas que vão viver aqui?

Há quem precise de uma casa cheia de encontros, com cozinha aberta, mesa grande e espaços que aproximem as pessoas. Outros encontram conforto no silêncio, em ambientes mais reservados e em uma iluminação suave. Algumas pessoas gostam de cores, obras de arte e objetos acumulados ao longo da vida. Outras se sentem melhor cercadas por poucos elementos.

Não existe uma resposta certa. Existe identidade.

É justamente por isso que me incomoda quando a arquitetura se torna uma repetição de tendências. Vemos nas redes sociais ambientes tão parecidos que poderiam pertencer à mesma casa. O mesmo revestimento, a mesma paleta, o mesmo móvel, a mesma iluminação. São espaços bonitos, mas, muitas vezes, poderiam pertencer a qualquer pessoa.

Uma casa com personalidade não precisa ser extravagante ou cara. Personalidade pode estar em uma fotografia de família, em um móvel herdado dos avós, em uma cor inesperada, em uma obra de arte ou simplesmente na maneira como os ambientes foram organizados para acompanhar a rotina de quem mora ali.

E talvez seja justamente essa a diferença entre uma casa bonita e uma casa que realmente nos toca.

A arquitetura tem uma capacidade muito especial: transformar sentimentos, hábitos e memórias em espaço. Quando isso acontece, você entra em uma casa e consegue perceber alguma coisa sobre aquelas pessoas mesmo antes de conhecê-las.

No fim, nossa casa vai sendo construída também pelas nossas histórias. Ela muda quando a vida muda, guarda marcas do tempo e recebe novas camadas conforme nós também mudamos.

Por isso, mais do que seguir tendências, vale construir espaços nos quais você consiga se reconhecer.

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Porque a casa mais interessante não é aquela que parece ter saído de uma revista.
É aquela que não poderia pertencer a mais ninguém.

Nayara Pires

Mestre e Doutora em Arquitetura e Urbanismo pelo Mackenzie.
Arquiteta e artista plástica.
@nayarapiresarquitetura

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