Os aguapés tomaram conta do Rio Tietê no trecho entre Barra Bonita e Igaraçu do Tietê (SP) e transformaram a paisagem em um verdadeiro “tapete verde”.
Imagens registradas nesta sexta-feira (27) mostram a dimensão da área coberta pela vegetação aquática.
Os aguapés são plantas aquáticas que se reproduzem rapidamente, principalmente no verão. Considerados uma espécie invasora, precisam de controle quando aparecem em excesso.
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Aguapés formam 'tapete verde' sobre o Rio Tietê no interior de SP — Foto: Reprodução
Isoladamente, a planta não representa grande perigo. No entanto, como flutua, é levada pela correnteza e, ao se acumular, forma grandes ilhas vegetais.
Apesar de ajudarem na filtragem da água, os aguapés podem causar impactos ambientais quando proliferam em grande quantidade, explica o professor de Meio Ambiente e Recursos Hídricos Jozrael Rezende.
“Eles ocupam um espaço impedindo, inclusive, a fotossíntese no meio aquático. Com a presença, evapora-se muito mais água num reservatório infestado, cerca de cinco vezes mais”, revela.
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Aguapés formam 'tapete verde' sobre o Rio Tietê no interior de SP — Foto: Reprodução
São vários os motivos que explicam a quantidade anormal de aguapés: um deles é que, no período de chuvas, a enxurrada arrasta para dentro da água parte dos fertilizantes jogados no solo. Isso deixa o Tietê com excesso de nutrientes. E como o aguapé é uma planta e gosta de adubo, a espécie cresce de maneira desenfreada.
“Isso está relacionado à poluição, isso está relacionado aos fertilizantes químicos utilizados na agricultura, que servem de alimentos para esses vegetais e os ajudam a crescer”, conta o professor.
Em alguns casos, as raízes das plantas podem ter mais de um metro de comprimento. Então, embaixo da água, elas se entrelaçam, formando uma espécie de parede, que dificulta bastante a navegação.
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Vista aérea eclusa de Barra Bonita (SP) — Foto: Google Earth/Reprodução
Impacto no turismo e na navegação
O principal impacto é sentido no turismo e nas atividades econômicas locais. Em 2025, embarcações ficaram dias sem conseguir navegar na parte alta do rio devido à concentração de plantas. Pescadores também relataram dificuldades para trabalhar.
Na área funciona a eclusa da usina hidrelétrica de Barra Bonita, que segue operando normalmente, segundo a empresa responsável. (Veja nota na íntegra mais abaixo).
Mesmo assim, donos de barcos afirmam que conseguem subir pela eclusa, mas encontram dificuldades para continuar a viagem por causa do acúmulo de aguapés no trecho superior do rio.
Em nota, a Auren Energia, responsável pela usina, informou que não houve interrupção no funcionamento da eclusa da Usina Hidrelétrica de Barra Bonita.
A empresa afirmou que, sempre que identifica aumento de macrófitas aquáticas, adota medidas operacionais, como a abertura controlada das comportas do vertedouro, com autorização dos órgãos competentes e em coordenação com a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil) e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Segundo a companhia, a presença dessas plantas está associada a fatores externos, como variações de temperatura, disponibilidade de nutrientes e características ambientais do reservatório, e não à geração de energia da usina, que segue operando normalmente.
A Auren informou ainda que mantém diálogo com órgãos públicos, pescadores, profissionais da navegação e representantes da sociedade civil para avaliar soluções conjuntas.
Fonte Original: G1 Bauru e Marília









